Os policiais militares presos no Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas (NPPM/AM) em Manaus tinham uma rotina com churrascos, partidas de futebol e até saídas livres pelas ruas da cidade, segundo investigação do Ministério Público do Amazonas (MPAM).

No local, 71 PMs respondiam por crimes como homicídio, tráfico de drogas e estupro. Apesar da gravidade das acusações, as investigações apontaram falhas graves na fiscalização da unidade, permitindo que detentos deixassem o presídio com frequência sem qualquer controle.

Segundo as investigações, alguns presos pagavam entre R$ 50 e R$ 70 de propina para sair da unidade. A prática foi considerada como recorrente entre os policiais detidos.

As investigações também mostram que os presos organizavam churrascos, frequentavam espaços públicos e praticavam atividades de lazer. Uma escola municipal vizinha ao núcleo prisional era usada pelos detentos para jogos de futebol semanais, sem escolta policial.

Foto: Reprodução / TV Globo

Durante inspeções realizadas pelo MPAM no dia 27 de fevereiro, promotores encontraram ao menos 23 detentos fora da unidade. Para os investigadores, existia um “passe livre” que permitia aos presos circular pela cidade e até cometer crimes usando o presídio como álibi.

Câmeras de segurança também registraram policiais presos andando de carro, frequentando lojas e realizando compras normalmente em Manaus. Um dos investigados, suspeito de mandar matar um desafeto, foi visto em atividades cotidianas sem qualquer vigilância. Outro PM chegou a usar o celular dentro da unidade para anunciar venda de armas.

Foto: Reprodução / TV Globo

Segundo os investigadores, o espaço nunca foi projetado para funcionar como presídio, o que contribuiu para os problemas estruturais e a falta de controle sobre os detentos.

Após as denúncias e a fuga de 23 policiais militares, 71 presos foram transferidos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar (UPPM/AM), localizada na BR-174, no dia 12 de maio.

A equipe do portal Em Tempo solicitou nota à Polícia Militar a respeito das irregularidades reveladas e da responsabilização dos envolvidos, mas até a publicação desta matéria, não houve resposta.

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