Brasília (DF) – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista nesta terça-feira (15) e suspendeu o julgamento que discute se os casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça devem ser analisados conjuntamente. A sessão foi marcada por um bate-boca entre ministros durante os debates sobre a condução do caso Banco Master. <Cite refs={[“turn0news0″,”turn0news22”]} />

Com o pedido de vista, a análise fica suspensa e não tem data definida para ser retomada. O placar provisório registrava quatro votos pela separação dos casos e três pela análise conjunta, sem considerar a posição de Dino, que defendeu a reunião dos processos, mas pediu que seu voto não fosse computado neste momento. <Cite refs={[“turn0news1″,”turn0news22”]} />

Votaram pela análise conjunta os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Já Edson Fachin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça defenderam que os casos sejam julgados separadamente.

Julgamento envolve relatório da PF

O plenário do STF analisava um relatório da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que menciona conversas atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.

O documento veio a público em 1º de setembro, após André Mendonça retirar o sigilo da investigação. Desde então, ministros passaram a apresentar pedidos de investigação e documentos relacionados à atuação uns dos outros.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a anulação do relatório parcial. O órgão argumenta que a investigação teria avançado sobre um ministro do Supremo sem comunicação prévia à Presidência da Corte ou ao plenário.

Mensagens citam contrato de R$ 131 milhões

O relatório divulgado por Mendonça reúne 52 mensagens que os investigadores atribuem a Daniel Vorcaro e que teriam sido enviadas a Moraes entre 2023 e 17 de novembro de 2025, quando o empresário foi preso preventivamente.

Em uma das mensagens, Vorcaro aparenta mencionar um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro parece buscar informações sobre uma operação policial que poderia resultar em sua prisão.

Moraes negou irregularidades e classificou o relatório como “inconstitucional e ilegal”. A defesa do ministro foi apresentada na madrugada desta terça-feira (15).

Moraes também pediu investigação

Após a divulgação do relatório, Moraes encaminhou a Fachin um documento que apontaria possível direcionamento das investigações da Operação Compliance Zero contra adversários políticos.

O material, porém, não tem assinatura nem timbre da Polícia Federal e traz o alerta de que foi produzido como conjectura e “sem valor probatório”.

Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Fachin marcou a análise desse pedido para 23 de setembro.

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