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Tradição

Manauaras reclamam de preços do peixe durante a Semana Santa

Nesta quinta-feira (14), na Feira da Manaus Moderna, Centro da capital, a procura por pescados como Tambaqui e Pirarucu era grande, mas não menor que o número de reclamações.

Manaus (AM) – Prato preferido de muitos católicos na Semana Santa, o peixe ficou mais caro no período, na capital amazonense. Como qualquer produto que segue a lei da oferta e procura, o valor aumenta consideravelmente com a chegada da data.

Nesta quinta-feira (14), na Feira da Manaus Moderna, Centro da capital, a procura por pescados como Tambaqui, Pirarucu e Jaraqui era grande, mas acompanhada de muitas reclamações.

“Eu acho os olhos da cara! Querem ganhar um mês todo vendendo um tambaqui a R$70 e R$ 80? Um dia desses estava R$12 o quilo”, disse a aposentada Raimunda Gomes, 67, que fez compras para passar o feriado junto da família, em um sítio.

Alex da Silva, 45, é autônomo e também foi a Manaus Moderna para as tradicionais compras de Semana Santa. Na hora de comprar Jaraqui, disse que tomou um susto.

“Praticamente, R$ 20 só 10 unidades. Ano passado eu cheguei a pagar a mesma quantidade a R$10. Com a situação do brasileiro como está, esse preço salgado desse jeito? Pelo amor de Deus”, afirma.

Já a dona de casa Raimunda Silva, 36, fala que não vai ficar sem comer seu tradicional pescado, mesmo que o preço tenha aumentado.

“Vou tirar por menos, porque é costume o peixe na família, eu mesma amo peixe e quero voltar para casa com minha sacola cheia. É um alimento saudável. Isso que me importa”, comenta.

O Jaraqui também foi uma das opções procuradas pelos consumidores

Demanda

Os feirantes pensam de forma diferente. De acordo com Altamir Joia, 36, os trabalhadores enfrentaram diversas dificuldades em 2021, como a chamada “Doença da Urina Preta”, que inibiu os manauaras de comprar o alimento. Neste ano, todos se recuperaram e tem cobrado um valor que considera justo.

“A feira ficou vazia e os peixes estavam até apodrecendo. Todo mundo lembra disso. Nos recuperamos, as pessoas voltaram a confiar no consumo de peixe e só estamos obedecendo a lei da oferta e procura, como acontece em todo lugar. Também temos família e não consideramos injusto os valores, porque existe toda um trabalho de pesca e transporte. Ninguém vê o nosso lado”, disse.

Outro feirante do local, Alex do Peixe, se ateve a qualidade dos produtos.

“Você que quer comprar um peixe de qualidade, fresquinho, pode vir na Feira da Manaus Moderna. Tem preços para todos os bolsos. Tem tambaqui de R$50 aqui ”, disse.

“Nosso famoso bacalhau da Amazônia está R$: 25,00 o quilo, temos ele fresco de R$: 20,00/R$: 28,00 o filé. Dá para o consumidor levar, do preço que ele quiser, de R$: 10,00 para cima, tem todo o valor. Graças a Deus o movimento está bom, a população está vindo na feira e está consumindo”, afirma Júnior da banca da Benção.

O tambaqui é um dos peixes mais procurados no período

Governo distribui peixe

Por outro lado, visando contribuir com a alimentação na Semana Santa, o programa Peixe no Prato Solidário, do Governo do Estado, entregou, em dois dias, um total de 26 toneladas de pescado para famílias em vulnerabilidade social da Zona Leste de Manaus.

Somente nesta terça-feira (12), 13 toneladas foram distribuídas na Liga Desportiva e Cultural do bairro Jorge Teixeira 2. O Peixe no Prato Solidário é coordenado pela Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS), que é vinculada à Secretaria de Produção Rural (Sepror).

 “Isso também regula o preço do pescado, principalmente na Semana Santa. Hoje a gente tem um peixe com um valor bastante caro para aquela população mais carente. E a gente, com essa entrega, começa a nivelar o preço do pescado para aquele que mais precisa, que é o consumidor final”, explica Leocy Cutrim, secretário executivo de Pesca e Aquicultura da Sepror.

No Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus, a Sepror fez a distribuição do pescado – Foto: Secom

Avaliação

O economista Orígenes Martins também aponta outros fatores que contribuíram para o aumento do pescado no período. Segundo ele, além da demanda gerada pela tradição religiosa, a falta de estrutura para armazenamento do pescado deixa o mercado produtor amazonense despreparado para atender a alta procura e o preço acaba subindo.

“Além disso, temos os exageros dos produtores, que acabam aproveitando a necessidade do consumidor e tentando descontar as perdas que tiveram no período. O fato de estarem vendendo em quantidade maior do que venderiam em períodos anteriores já deixa uma parte dos seus prejuízos diminuídos. Vem muito por conta desta questão. Ou seja, demanda exagerada e um despreparo da oferta pela falta de estrutura de armazenamento e industrialização desse pescado para atender isso. É uma pauta que se reivindica há muito tempo, mas, infelizmente, ainda não foi montada”, explica.

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