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Milei ameaça sair do Mercosul para acordo com EUA

Presidente argentino, Milei disse estar disposto a abandonar o bloco em troca de um acordo de livre comércio com os EUA

Javier Milei, presidente da Argentina (Antonio Masiello/Getty Images)

Em aceno a Donald Trump, o presidente argentino Javier Milei voltou a ameaçar, no sábado (1º), retirar a Argentina do Mercosul, caso seja necessário para fechar um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. Durante a abertura anual do Congresso, Milei criticou o bloco econômico criado em 1991, do qual fazem parte Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, alegando que ele só serviu para “enriquecer os industriais brasileiros” em detrimento do empobrecimento dos argentinos.

“Oportunidade histórica” para a Argentina

Reafirmando seu desejo de negociar diretamente com os Estados Unidos, Milei declarou que essa é uma “oportunidade histórica” e que a Argentina precisa estar disposta a ser “flexível”. “Se necessário, até a sair do Mercosul”, completou o presidente, enfatizando a importância de aproveitar a chance de estabelecer uma relação comercial mais vantajosa para o país.

Essa oferta a Trump já havia sido feita por Milei em janeiro, durante sua visita ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Lula defende o Mercosul

O discurso de Milei foi feito poucas horas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em viagem ao Uruguai, defender a importância do Mercosul. Lula, durante um evento, ressaltou a necessidade de formar um bloco forte na América do Sul, independente da liderança política dos países envolvidos.

Lula afirmou a jornalistas que a relação entre os Estados é algo profundo, que não muda com a troca de governantes. Ele também destacou a importância do Mercosul em negociações internacionais, citando o acordo de livre comércio firmado com a União Europeia em 2022. O acordo, que enfrenta resistência de alguns setores na Europa, ainda precisa ser ratificado e pode levar anos para entrar em vigor.

Milei e sua política da “motosserra”

Em seu discurso ao Congresso, Milei também prometeu continuar com sua polêmica política de “motosserra”, que se refere ao seu plano radical de corte de gastos públicos. Para o presidente, essa política é “símbolo de uma mudança de época” e continuará até que a Argentina consiga reduzir significativamente o tamanho do Estado no longo prazo.

Milei afirmou que a Argentina está “na vanguarda do mundo” com sua política fiscal, citando até mesmo o Departamento de Eficiência Governamental (Doge) de Elon Musk nos Estados Unidos como inspiração.

Escândalo do “Criptogate” abala popularidade de Milei

O discurso de Milei ocorre em meio à crise de popularidade causada pelo escândalo do “criptogate”. O caso envolveu o colapso de uma criptomoeda promovida pelo próprio presidente argentino, em 14 de fevereiro, resultando em perdas milionárias. O incidente está sendo investigado tanto pelas autoridades argentinas quanto pelos Estados Unidos e foi classificado pela revista Forbes como “o maior roubo cripto da história”.

Além disso, Milei tem sido criticado por nomear dois juízes à Suprema Corte por decreto, uma decisão que gerou controvérsias internas.

(*) Com informações do Metrópoles

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