×
bate-papo

Eleito vice-presidente da CBF, Rozenha projeta futuro do futebol amazonense em exclusiva

Presidente da FAF fala sobre desafios na CBF, Seleção Brasileira em crise e candidatura de Manaus à Copa do Mundo Feminina de 2027

Ednailson Rozenha na presidência da FAF
Ednailson Rozenha na presidência da FAF. Foto: Mateus Moreira/FAF

O presidente da Federação Amazonense de Futebol (FAF), Ednailson Leite Rozenha, agora ocupa um dos cargos mais importantes do futebol brasileiro. Ele foi eleito vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na segunda-feira (24), durante a reeleição de Ednaldo Rodrigues para a presidência da entidade, no Rio de Janeiro.

Com chapa única intitulada “Por um Futebol Mais Inclusivo e Sem Discriminação de Qualquer Natureza”, Ednaldo Rodrigues recebeu apoio unânime das 27 federações estaduais e de 26 clubes das Séries A e B. Além dele, outros sete vice-presidentes foram eleitos, assim como três membros efetivos e três suplentes do Conselho Fiscal.

O Em Tempo conversou com exclusividade com Rozenha para entender os desafios e oportunidades que essa nova posição representa para o futebol do Amazonas. Durante a entrevista, ele destacou a importância da representatividade do estado na entidade máxima do futebol nacional, avaliou o momento da Seleção Brasileira e falou sobre a candidatura de Manaus como sede da Copa do Mundo Feminina de 2027.

Entrevista

Em Tempo: Rozenha, primeiramente, parabéns pela eleição ao posto de vice-presidente da CBF. Sem dúvida, o futebol amazonense alcança uma posição de destaque no cenário nacional. Como foi o processo, as conversas, para você compor a chapa do Ednaldo Rodrigues, presidente da entidade?

Ednailson Leite Rozenha: Primeiramente, agradeço pelas palavras e pelo espaço. A construção da chapa foi fruto de uma caminhada baseada na confiança, na coerência e na convivência com as demais federações e com o presidente Ednaldo Rodrigues. Desde que assumi a FAF, busquei me posicionar com responsabilidade, respeito e compromisso com o futebol amazonense e brasileiro. Ao longo desses anos, estabeleci um diálogo verdadeiro com as federações e com a CBF, sempre com foco na inclusão e valorização dos estados fora do eixo principal. A composição da chapa foi um processo coletivo, natural, e minha indicação como vice-presidente é o reflexo desse reconhecimento e da representatividade que o Amazonas passou a ter dentro da estrutura nacional.

Em Tempo: Para que possamos entender melhor sobre a função, quais são suas atribuições como vice-presidente da CBF, Rozenha? Você e os demais sete vice-presidentes são remunerados?

Rozenha: Os vice-presidentes da CBF têm a função de representar a entidade, colaborar com as decisões do Comitê Executivo e participar ativamente das discussões e planejamentos estratégicos do futebol brasileiro. Cada um traz a sua visão regional e institucional para enriquecer o debate. No meu caso, represento não só o Amazonas, mas toda a Região Norte, que sempre precisou de mais visibilidade. Sobre remuneração, eu não tratei sobre isso ainda. É um cargo de contribuição à gestão do futebol nacional, com responsabilidade e muito compromisso. Salário, para mim, é indiferente!

Oficialmente, mandato da nova chapa inicia em 2026. Foto: Reprodução/Instagram

Em Tempo: Na linha das primeiras duas perguntas, de que forma o futebol amazonense será beneficiado com o presidente da FAF na vice-presidência da CBF?

Rozenha: Essa é uma conquista institucional histórica. Pela primeira vez, o Amazonas tem voz direta em um dos cargos mais altos do futebol brasileiro. Isso significa maior visibilidade, prioridade nos debates, e mais força política para defender nossos pleitos, projetos e desafios. Vamos trabalhar para fortalecer os clubes da capital e do interior, buscar mais inclusão, mais competições, mais investimentos e ações estruturantes para o futebol do nosso estado. É uma ponte direta com o centro das decisões do futebol brasileiro — e vamos usá-la com responsabilidade e estratégia.

Momento da Seleção Brasileira

Em Tempo: Ainda no cenário da CBF, qual é sua avaliação do momento da Seleção Brasileira, Rozenha? O time faz uma campanha instável nas Eliminatórias, com recordes negativos (como a primeira derrota para a Colômbia, a primeira derrota em casa, maior derrota para a Argentina) e a comissão técnica está pressionada. Qual é o seu diagnóstico do mau momento da Amarelinha?

Rozenha: Sabemos que a Seleção passa por um momento de instabilidade dentro de campo, especialmente nas Eliminatórias. Resultados históricos negativos sempre chamam atenção, mas também é importante entender que estamos em um período de transição, com uma comissão técnica nova, atletas jovens e um cenário competitivo cada vez mais equilibrado na América do Sul. Confio no trabalho que está sendo feito, e acredito que com ajustes, paciência e confiança no projeto, a Seleção vai retomar o seu protagonismo. (nota da redação: a entrevista aconteceu na quinta-feira (27), antes da CBF confirmar a demissão do técnico Dorival Júnior do comando da Seleção Brasileira)

CBF demitiu Dorival Júnior na sexta-feira (28)
CBF demitiu Dorival Júnior na sexta-feira (28). Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Em Tempo: Nesse processo eleitoral, o nome de Ronaldo surgiu como possível adversário do Ednaldo. Após anunciar a desistência, ele disse que encontrou 23 das 27 portas das federações fechadas para uma conversa. O Fenômeno procurou a FAF? Se sim, como avaliavam essa candidatura?

Rozenha: Sim. Durante todo o processo eleitoral, a Federação Amazonense de Futebol foi procurada formalmente pelo Ronaldo ou sua equipe. Nosso posicionamento sempre foi claro e coerente desde o início: estivemos ao lado do presidente Ednaldo Rodrigues, que vem fazendo um trabalho técnico, sério e inclusivo na CBF. A candidatura dele representa continuidade de uma gestão que tem dado voz às federações, aos clubes e às regiões historicamente menos ouvidas.

Copa do Mundo Feminina em Manaus

Em Tempo: Para entrarmos no cenário do futebol no Amazonas, a Copa do Mundo Feminina vem aí, em 2027. Como está o processo de decisão das sedes por parte da Fifa? Já podemos considerar Manaus dentro, tendo em vista nossa importância para a modalidade no Brasil?

Rozenha: Manaus está entre as cidades pré-selecionadas, e nosso nome foi encaminhado à Fifa com total apoio da CBF. Temos estrutura, temos histórico — já sediamos grandes eventos internacionais com excelência — e temos uma relação especial com o futebol feminino. Estamos otimistas e confiantes. A decisão final é da Fifa, mas seguimos firmes na defesa da nossa capital como uma das sedes brasileiras da Copa do Mundo Feminina de 2027.

FIFA inicia escolha das cidades-sede da Copa do Mundo Feminina 2027
FIFA inicia escolha das cidades-sede da Copa do Mundo Feminina 2027. Foto: Fifa

Avaliação da gestão na FAF

Em Tempo: Como você avalia a sua gestão na FAF até aqui, Rozenha? Quais conquistas você considera como resultado da atuação da entidade e o que você acredita que ainda pode melhorar?

Rozenha: Tem sido um processo de reconstrução. Herdamos uma entidade fragilizada e, com muito trabalho, reorganizamos a casa, recuperamos a credibilidade, e conseguimos dar visibilidade e apoio real às ligas do interior e aos clubes da capital. Criamos competições inéditas, investimos na base, no futebol feminino e no amador, com destaque para a Copa da Floresta. Ainda temos muito a fazer, mas temos avançado com passos firmes, diálogo aberto e responsabilidade institucional.

Em Tempo: Falando um pouco de torcida, a sua gestão promove o sorteio de um carro 0km para incentivar a presença do público nos jogos do Barezão. Porém, se levarmos em consideração as semifinais do returno, não tivemos público superior a 1.000. Como melhorar essa questão?

Rozenha: De fato, esse é um desafio. Criamos ações como o sorteio de um carro 0km para tentar incentivar o público, mas sabemos que o processo vai além disso. Envolve comunicação, calendário, segurança, horários dos jogos e um resgate da relação emocional do torcedor com os clubes. Estamos trabalhando com os clubes para oferecer uma experiência melhor ao torcedor. É um trabalho contínuo, que exige persistência, criatividade e muito diálogo com a base.

Rozenha entrega troféu na final da Copa da Floresta. Foto: Hércules Andrade

Em Tempo: Por fim, falar de um grande sucesso que é a Copa da Floresta, movimentando campos de todo o interior. Quais são os planos para as próximas edições e o que serve de exemplo do futebol amador para o futebol profissional?

Rozenha: A Copa da Floresta é um orgulho pra nós. É inclusão na prática. Mais de 200 comunidades envolvidas, movimentando o interior, gerando economia, revelando talentos e fortalecendo laços. Nosso objetivo é ampliar ainda mais a competição, oferecer capacitação aos gestores locais e criar pontes entre o amador e o profissional. O que ela ensina? Que o futebol é paixão, é raiz, é resistência — e que, com organização e respeito ao povo, é possível fazer grandes coisas longe dos holofotes.

Leia mais:

“Confio no trabalho”, disse vice da CBF um dia antes da demissão de Dorival Júnior

Para ficar por dentro de outras notícias e receber conteúdo exclusivo do portal EM TEMPO, acesse nosso canal no WhatsAppClique aqui e junte-se a nós! 🚀📱

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *