Com o início do ano letivo, uma despesa volta a preocupar milhares de famílias no Amazonas: o custo do transporte escolar.

Em Manaus e na região metropolitana, o serviço integra a rotina de pais que precisam conciliar trabalho, distância e segurança no deslocamento dos filhos até a escola. No entanto, em 2026, o transporte escolar passou a pesar mais no orçamento de muitas famílias.

Entre os principais fatores está o preço dos combustíveis, que continua impactando diretamente quem depende do veículo diariamente para trabalhar.

Além disso, os condutores enfrentam aumento nos gastos com manutenção, troca de peças, pneus, seguro, licenciamento e revisões obrigatórias.

Custos elevados levam a reajustes

O motorista Reginaldo Lima explica que o aumento das despesas o levou a reajustar o valor do serviço em 10%.

Segundo ele, nos últimos meses, os custos com combustível e manutenção foram os que mais pressionaram o orçamento.

“O preço do combustível tem um impacto significativo no valor cobrado. Ainda assim, ofereço desconto para irmãos e também para quem mantém o pagamento em dia”, afirma.

Reginaldo conta que, após os reajustes, algumas desistências ocorrem, mas considera a situação comum no mercado. Mesmo assim, ele acredita em estabilidade ao longo do ano.

“É preciso buscar equilíbrio e negociar sempre, mesmo com a pressão dos custos, para manter o serviço acessível”, ressalta.

Famílias ajustam o planejamento financeiro

Do lado das famílias, o aumento exige reorganização do orçamento. A autônoma Gilcinara Lopes, mãe de um estudante da rede particular, relata que houve um pequeno reajuste no valor da condução escolar em 2026.

Apesar disso, ela afirma que o custo não compromete de forma significativa as finanças. “Não pesa tanto, mas com esse valor daria para fazer outras coisas”, comenta.

Gilcinara avalia que o preço é justo em relação ao serviço prestado e destaca que não recebe desconto, já que apenas um filho utiliza o transporte. “Nunca precisei negociar o valor com o condutor”, diz.

Mesmo com o aumento, ela afirma que não cogitou trocar de transporte. “O transporte escolar continua sendo essencial na nossa rotina.”

Especialista explica impacto dos reajustes

Para a economista Denise Kassama, os reajustes no início do ano seguem um padrão e refletem o aumento generalizado dos custos do setor.

De acordo com ela, a elevação do salário mínimo e a alta recente dos combustíveis, incluindo reajustes de impostos, afetam diretamente quem depende do veículo para trabalhar.

“Esses aumentos costumam ocorrer no começo do ano e acabam sendo repassados ao preço do transporte escolar”, explica.

Denise destaca que o impacto é maior porque o reajuste coincide com outras despesas típicas do período, como matrícula e material escolar. Ainda assim, ela lembra que o transporte escolar é um gasto essencial.

“Muitos pais não conseguem buscar os filhos por causa do trabalho e do trânsito cada vez mais intenso em Manaus. Por isso, é uma despesa difícil de cortar”, conclui.

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