A revista Sonho & Negócios surgiu a partir de uma proposta pouco comum no mercado editorial brasileiro. Em vez de cobrar de empreendedores para publicar matérias elogiosas, o projeto aposta na construção de reconhecimento por meio da trajetória real dos negócios, registrada em reportagens publicadas de forma contínua no site, em edições digitais e também em versão impressa.
A iniciativa foi idealizada por Davi Santiago de Souza, diretor-geral da revista, em parceria com estudantes que hoje compõem o núcleo editorial e a diretoria. O grupo atua em Manacapuru, no interior do Amazonas, e tem como foco negócios locais que normalmente não aparecem em veículos nacionais.
Segundo Santiago, a proposta nasceu da percepção de que muitos empreendedores trabalham por anos sem qualquer visibilidade pública. “Existem empresas e projetos que movimentam cidades inteiras e nunca foram retratados de forma profissional. A ideia foi criar um espaço para registrar essas histórias”, afirma.
O modelo adotado pela Sonho & Negócios se diferencia de iniciativas que comercializam espaço editorial. A revista não cobra dos empreendedores para produzir ou publicar as matérias. A receita vem de patrocínios institucionais e de anúncios de grandes empresas interessadas em associar sua marca ao projeto, como ocorreu em edições anteriores com grupos do setor de turismo e serviços.
Cada reportagem é construída a partir de entrevistas, levantamento de informações e organização da trajetória do negócio. O conteúdo é publicado no site, replicado nas redes sociais e reunido, a cada trimestre, em uma edição impressa e digital da revista.
Um dos aspectos que mais chama atenção é a composição da equipe. O editorial é formado majoritariamente por estudantes da rede pública de ensino. O diretor-geral tem 16 anos, a diretora-chefe tem 17, e outros membros da equipe estão entre 14 e 18 anos. Todos conciliam a produção jornalística com a rotina escolar.
Apesar da idade, o grupo atua com divisão de funções. Há setor editorial, captação de patrocínio, produção de conteúdo e organização das edições. A estrutura busca reproduzir, em escala local, o funcionamento de revistas consolidadas de negócios, adaptada à realidade regional.
Para Santiago, o objetivo não é competir com publicações como Forbes ou Exame, mas ocupar um espaço que raramente recebe atenção. “Essas revistas falam de grandes empresas. Nós falamos de quem sustenta a economia das cidades menores”, resume.
O projeto também se diferencia por registrar as histórias como acervo permanente. Cada empreendedor publicado passa a ter uma página indexada nos buscadores, com matéria completa e dados organizados. Isso transforma a revista em uma espécie de memória econômica local, onde trajetórias ficam documentadas.
A proposta vem ganhando espaço em portais parceiros e veículos regionais, ampliando o alcance das matérias. Para os organizadores, esse tipo de jornalismo cria valor não apenas para quem é retratado, mas para a própria cidade, ao fortalecer a identidade econômica local.
Especialistas em comunicação avaliam que iniciativas assim refletem uma mudança no consumo de informação empresarial. Em vez de apenas rankings e cifras, cresce o interesse por narrativas de construção, erros, recomeços e permanência no mercado.
Ao adotar um modelo baseado em trajetória, e não em pagamento, a Sonho & Negócios tenta romper com a lógica de visibilidade comprada e estabelecer um padrão de reconhecimento construído ao longo do tempo.
A experiência da revista ilustra um movimento emergente no jornalismo regional brasileiro: menos vitrine publicitária e mais registro histórico da atividade econômica real. Em um país onde grande parte dos negócios nasce fora dos grandes centros, contar essas histórias pode ser tão relevante quanto acompanhar os números das maiores corporações.
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