O interesse por idiomas estrangeiros segue em expansão no mundo. O inglês ainda lidera, sendo o mais estudado em 79% dos países, segundo levantamento citado pela CNN Brasil com base no Relatório de Idiomas do Duolingo 2025.

Ao mesmo tempo, cresce a procura por línguas asiáticas. O coreano já aparece como o sexto idioma mais estudado globalmente na plataforma, refletindo o avanço da cultura coreana e o aumento do interesse internacional pelo idioma.

Em Manaus, esse movimento começa a se traduzir também em oportunidades de negócio. À frente do Instituto AriranG, o sócio e professor Seung Hyun Beak (à dir.), conhecido como Leo, observa que o interesse inicial pela cultura coreana tem servido como porta de entrada para algo maior. “Existe uma curiosidade inicial muito ligada à cultura coreana, mas com o tempo as pessoas percebem que o idioma pode abrir portas profissionais”, afirma. 

Segundo ele, o instituto recebeu mais de 380 alunos, que já passaram pelas turmas de coreano desde o início das atividades, com média de cerca de 60 estudantes por semestre. Para o professor e também sócio do empreendimento Erystenys Reis Costa Filho, ainda existe um desafio cultural a superar. “Mesmo com toda a mídia, o interesse por aprender um novo idioma ainda não é muito forte, principalmente por ser considerado difícil ou diferente”, afirma. 

Ao mesmo tempo, o professor destaca que o ensino do idioma precisa ser reposicionado como ativo profissional. “O foco é mostrar que vai além do K-pop e dos doramas, podendo abrir portas em indústrias, comércio e até no empreendedorismo”, explica. 

A presença de multinacionais sul-coreanas no Polo Industrial de Manaus (PIM) ajuda a reforçar essa tendência. Segundo o instituto, empresas como a Samsung já precisaram buscar tradutores em outros estados por falta de profissionais qualificados localmente, evidenciando uma lacuna que pode se transformar em oportunidade no mercado regional. 

Esse cenário também abre espaço para iniciativas empreendedoras no setor educacional. Escolas especializadas em idiomas menos tradicionais começam a explorar nichos específicos de mercado, combinando ensino linguístico, experiências culturais e formatos digitais para ampliar o alcance do negócio.

“Estamos preparando o lançamento de uma plataforma digital com aulas online, com desenvolvimento de aplicativo e um sistema interativo para os alunos”, afirma Erystenys. “A ideia é ampliar nosso alcance, escalar a operação e atingir novos públicos.” 

À medida que o intercâmbio econômico entre Brasil e países asiáticos se intensifica, o ensino de coreano tende a deixar de ser apenas um interesse cultural,  e passar a integrar também a agenda do empreendedorismo educacional na região.

A aposta bilionária da Uber e a nova corrida global pelos robotáxis

A mobilidade urbana pode estar prestes a entrar em uma nova fase e a ação mais recente da Uber ajuda a ilustrar essa transformação.

Segundo reportagens internacionais, a empresa pretende investir mais de US$ 10 bilhões no desenvolvimento e expansão de táxis autônomos, os chamados robotáxis. A estratégia inclui tanto a aquisição de veículos quanto investimentos em empresas que desenvolvem tecnologia de condução autônoma.

Essa estratégia marca uma mudança importante na trajetória da própria Uber, que durante anos, construiu seu modelo de negócio com base em uma lógica conhecida no mundo das startups como ‘asset light’, ou seja, operar plataformas digitais sem precisar possuir os ativos físicos, como carros ou frotas. A inovação estava no software e na rede de motoristas parceiros.

Agora, ao direcionar bilhões para o desenvolvimento de veículos autônomos, a companhia sinaliza que o futuro da mobilidade pode exigir algo além de aplicativos e algoritmos.

A corrida tecnológica por carros que dirigem sozinhos já envolve gigantes como Tesla, Waymo (do grupo Alphabet/Google) e diversas startups globais, todas disputando espaço em um mercado que pode redefinir o transporte urbano nas próximas décadas.

Se a tecnologia atingir escala e viabilidade econômica, os impactos podem ser profundos.

Não apenas na forma como nos deslocamos nas cidades, mas também em temas sensíveis como empregos ligados ao transporte, modelos de negócios da indústria automotiva e a própria configuração da mobilidade urbana.

Porto da Manaus Moderna e o impacto na economia regional

A ordem de serviço para os projetos de modernização do porto da Manaus Moderna, anunciada esses dias, representa um avanço importante para a logística fluvial da região. O local é um dos principais pontos de conexão entre Manaus e municípios do interior do Amazonas, por onde circulam diariamente passageiros, alimentos e mercadorias que abastecem a cidade e movimentam o comércio regional.

Com uma estrutura mais organizada, o terminal tende a melhorar as condições de embarque e desembarque, aumentar a segurança das operações e reduzir gargalos logísticos no centro da capital. Para a economia local, isso significa maior eficiência no transporte fluvial, algo essencial em um estado onde os rios continuam sendo as principais rotas de integração econômica.

Além de fortalecer a logística interna do Amazonas, melhorias nessa infraestrutura também contribuem para ampliar a integração regional e criar condições mais favoráveis para negócios ligados à pesca, ao extrativismo e à agricultura amazônica. Em uma região onde os rios são as principais vias de circulação, investir em portos é investir diretamente na dinâmica socioeconômica da Amazônia. Todos ganham!

Flextronics prepara investimento para nova produção de TVs em Manaus

A multinacional de manufatura eletrônica Flex, anteriormente conhecida como Flextronics, que mantém operações industriais no Brasil e no Polo Industrial de Manaus (PIM), teve aprovado investimento de cerca de R$ 33 milhões para produzir televisores no PIM, conforme projeto analisado no âmbito do Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (CAS/SUFRAMA). 

O investimento está associado à implantação ou adaptação de linhas produtivas voltadas ao segmento de TVs, um dos mais tradicionais da Zona Franca. A iniciativa ocorre em um momento em que a indústria começa a reorganizar a produção para acompanhar a expectativa de aumento da demanda em anos de grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo. Historicamente, esses períodos costumam antecipar a troca de aparelhos pelos consumidores e aquecer o setor. 

Embora não se trate de um investimento de grande porte em comparação com projetos estruturais da indústria eletrônica, iniciativas desse tipo são comuns na lógica da manufatura por contrato, modelo em que empresas como a Flex produzem equipamentos para diferentes marcas globais. Nesses casos, ajustes de linha e novos contratos podem exigir adaptações industriais relativamente rápidas, mas estratégicas para a manutenção da competitividade.

O projeto acompanha a retomada gradual da produção de televisores em Manaus. Após um período de retração, o setor começou 2026 com sinais de recuperação, impulsionado pela expectativa de aumento do consumo e pela reorganização das cadeias produtivas. Assim, o investimento reforça a capacidade do PIM de se adaptar às mudanças do mercado, aproveitar momentos de grande consumo e manter sua relevância na produção nacional de TVs. Para essa nova configuração, a companhia pode contratar até 160 profissionais. 

RÁPIDAS & BOAS

Nos dias 22 e 23/4, Manaus recebe a ‘NN Logística – Diálogos Hidroviáveis’, feira da indústria fluvial da América Latina, que irá reunir setores da navegação, construção naval e logística. O evento será no Centro de Convenções Vasco Vasques, localizado na Av. Constantino Nery n.º 5001, Flores. A inscrição para visitantes é gratuita e pode ser feita pelo link (https://tinyurl.com/52wmbese).

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A aceleradora de startups Techstars promove em Manaus, entre 24 e 26/4, o programa ‘Techstars Startup Weekend’. O evento será presencial na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Campus Universitário Senador Arthur Virgílio Filho, localizada na Av. General Rodrigo Octavio Jordão Ramos, 6.200 – Coroado I. As inscrições estão sendo realizadas pelo link (https://tinyurl.com/2dkmz77p). 

Cristina Monte é historiadora e jornalista, especialista em Comunicação Empresarial, Responsabilidade Social e Divulgação Científica. Além de ser empreendedora e escritora.

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