Durante muito tempo, a libido feminina foi tratada como algo secundário, quase decorativo. Se existe, ótimo. Se some… “faz parte”. Spoiler: não faz.

A partir dos 40 anos, muitas mulheres relatam diminuição do desejo sexual, dificuldade de excitação, ressecamento vaginal, queda da sensibilidade e, em alguns casos, até aversão ao contato íntimo. E não, isso não acontece porque a mulher “envelheceu” ou “perdeu o interesse pela vida”. A causa costuma ser muito mais complexa, multifatorial e, principalmente, biológica.

Os principais motivos da queda da libido após os 40: 

– Queda hormonal progressiva

Estradiol, progesterona e testosterona começam a cair ou variar de forma irregular, impactando diretamente:

• desejo sexual

• lubrificação vaginal

• sensibilidade genital

• disposição física e mental

– Testosterona baixa (sim, mulheres também precisam dela). Quando ela cai, a libido costuma cair junto.

– Cansaço crônico e sobrecarga mental

– Alterações da tireoide

Hipotireoidismo, mesmo subclínico, reduz energia, humor e desejo sexual.

– Inflamação crônica e deficiências nutricionais

Baixos níveis de ferro, vitamina D, B12, magnésio e zinco afetam diretamente energia, humor e função hormonal.

– Questões emocionais e autoestima

Quais exames devem ser feitos para investigar a causa da baixa libido?

Antes de qualquer tratamento, vem a parte mais ignorada por aí: investigar. Tratar sem exame é chute. E chute não resolve libido.

Os principais exames incluem:

Avaliação hormonal

• Estradiol

• Progesterona

• Testosterona total e livre

• SHBG

• DHEA-S

• FSH e LH

Tireoide

• TSH

• T4 livre

• T3 livre

• Anti-TPO e Anti-Tg (quando indicado)

Avaliação nutricional

• Vitamina D

• Vitamina B12

• Ferritina

• Zinco

• Magnésio

Metabólico e inflamatório

• Glicemia e insulina

• Hemoglobina glicada

• Perfil lipídico

• PCR ultrassensível

Esses exames ajudam a entender por que o desejo foi embora, e não apenas a tentar trazê-lo de volta no escuro.

Tratamentos possíveis: não existe fórmula mágica, existe estratégia

1. Reposição hormonal (sempre com acompanhamento médico)

Ela ajuda a restaurar o desejo sexual, melhorar lubrificação e conforto íntimo, aumentar disposição e bem-estar, melhorar sono e humor.

Reposição hormonal não é vilã. Vilão é fazer sem critério.

2. Suplementação com vitaminas e fitoterápicos

Para mulheres que não podem ou não desejam reposição hormonal, ou mesmo como complemento, a suplementação personalizada é uma grande aliada.

Ela pode atuar em suporte à produção hormonal, melhora da energia e da circulação, redução do estresse e da ansiedade e aumento da resposta ao estímulo sexual.

Fitoterápicos como maca peruana, tribulus, ginseng, além de vitaminas e minerais estratégicos, funcionam, desde que:

🔹 sejam bem indicados

🔹 estejam nas doses corretas

🔹 façam sentido para aquele organismo

O ponto mais importante: libido não se trata no atacado. Se tem algo que precisa ficar claro é isso: Não existe tratamento padrão para libido feminina.

Cada mulher tem um histórico, um padrão hormonal, uma rotina e uma resposta diferente.

O que funciona para uma pode não funcionar para outra. E tudo bem. O sucesso está na personalização, na escuta e na estratégia individual.

Libido não é luxo.

Libido é saúde, conexão, vitalidade e identidade.

E recuperar isso depois dos 40 não é sobre “voltar a ser quem era”, mas sobre se tornar uma versão ainda melhor, mais consciente e mais dona do próprio corpo.

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