Sempre que recebo um paciente aqui no consultório, percebo que existe uma preocupação muito forte (e correta!) com a próstata. Mas hoje, quero conversar com você sobre outro ponto fundamental da nossa saúde: os nossos rins.
Muitas vezes, as doenças renais são silenciosas. Elas não mandam “avisos” nem dores nas fases iniciais. Por isso, a prevenção não é apenas um exame que você faz uma vez por ano; é a tranquilidade de saber que estamos cuidando de tudo antes que vire um problema real.
Quando falamos em tumores malignos nos rins, estamos falando de lesões sólidas que quase nunca apresentam sintomas no começo. Quando o paciente nota sangramento na urina ou sente algo diferente no exame físico, geralmente a doença já avançou um pouco mais.
O meu conselho como médico é: não espere o sintoma. O diagnóstico precoce através de exames de imagem de rotina é o que nos permite agir rápido e com sucesso, muitas vezes sem grandes complicações.
“Doutor, apareceu um cisto no meu exame. É câncer?” Essa é uma das perguntas que mais ouço. E a resposta, na maioria esmagadora das vezes, é não. Os cistos renais são bolsas de líquido muito comuns. Para você ter uma ideia: Cerca de 30% das pessoas têm cistos. Acima dos 50 anos, metade da população terá pelo menos um.
Na maioria dos casos, eles são benignos e não precisam de cirurgia, apenas de “vigilância”. Claro, dependendo de onde o cisto está ou do tamanho dele, podemos intervir, mas isso é a exceção, não a regra.
Recentemente, recebi uma paciente muito aflita. Ela trouxe uma ultrassonografia com um cisto e alguém a assustou dizendo que era câncer. Fizemos os exames específicos aqui no consultório e, felizmente, confirmamos que era apenas um cisto simples.
O medo dela é o medo de muitos, mas a informação correta resolve isso. Se o seu exame mostrou algo, o caminho é manter o acompanhamento regular e não tirar conclusões precipitadas. A prevenção é o melhor tratamento que existe. Se você já faz seu check-up da próstata, aproveite para olhar com carinho para seus rins também. É simples, rápido e garante que você siga sua vida com muito mais segurança.
No dia a dia, a prevenção vai além dos exames. Eu sempre reforço aqui no consultório que pequenas mudanças de hábito protegem o tecido renal a longo prazo. O controle rigoroso da pressão arterial e do diabetes é essencial, já que essas são as duas maiores causas de sobrecarga nos rins.
Além disso, a hidratação adequada e a moderação no uso de anti-inflamatórios, que muita gente toma sem receita para qualquer dorzinha, fazem uma diferença enorme para evitar lesões futuras.
Se o seu exame mostrou um cisto ou qualquer alteração, o nosso próximo passo não é o desespero, mas sim a classificação. Utilizamos critérios específicos (como a classificação de Bosniak) para entender se aquela imagem é um cisto simples ou se possui características que exigem uma investigação mais profunda com tomografia ou ressonância.
Na maioria das vezes, o “tratamento” é apenas uma nova consulta e um exame de imagem daqui a seis meses ou um ano, só para garantir que tudo permanece estável. O meu papel aqui não é apenas dar um diagnóstico, mas ser um parceiro na manutenção da sua qualidade de vida.
A medicina evoluiu muito, e hoje temos tecnologias minimamente invasivas que tratam problemas renais com muita segurança, caso seja necessário. Mas o meu maior sucesso como médico é quando conseguimos resolver tudo apenas com prevenção e vigilância. Afinal, cuidar da saúde é muito mais fácil (e menos estressante) do que tratar uma doença.

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