O presidente Donald Trump ordenou o bloqueio naval no estreito de Hormuz, o que praticamente interrompeu o tráfego de navios na região. Antes do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, a rota escoava cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mercado global.

O bloqueio começou às 11h desta segunda-feira (13), no horário de Brasília. Desde então, o fluxo, que já era reduzido, caiu ainda mais. Dados de monitoramento indicam que apenas dois navios ligados ao Irã tentaram cruzar o estreito, contra 14 no dia anterior e até 140 antes da guerra.

Trump afirmou que 34 embarcações atravessaram a região no domingo (12). No entanto, empresas de monitoramento, como a Kpler, contestam o número.

Segundo a plataforma MarineTraffic, cerca de 1.600 navios permanecem parados em ambos os lados do estreito. Assim, o bloqueio intensificou o impasse logístico em uma das rotas mais estratégicas do mundo.

Taxa imposta pelo Irã motivou decisão

No domingo, Trump determinou a medida contra embarcações que pagaram pedágio ao Irã para cruzar a região. Teerã havia criado uma rota alternativa dentro de suas águas territoriais, alegando segurança contra minas.

Com isso, petroleiros passaram a pagar cerca de US$ 1 por barril transportado, inclusive por meio de criptomoedas. Após o fracasso das negociações diretas entre EUA e Irã no Paquistão, o governo americano anunciou o bloqueio.

Marinha dos EUA detalha operação

A Marinha dos Estados Unidos informou que irá interceptar navios com origem ou destino a portos iranianos. No entanto, a corporação esclareceu que o bloqueio não impede o trânsito neutro para destinos não iranianos.

Na prática, navios de guerra patrulham a área e orientam embarcações comerciais a interromper a rota. Caso não haja cooperação, forças americanas podem realizar abordagens com lanchas e helicópteros. Em situações extremas, o uso da força não está descartado.

Trump reforçou o tom ao declarar que qualquer embarcação iraniana hostil será “eliminada”.

Legalidade do bloqueio gera questionamentos

Embora o bloqueio naval seja previsto em cenários de guerra, especialistas apontam dúvidas jurídicas. Isso ocorre porque Estados Unidos e Irã mantêm uma trégua, o que torna a medida controversa no direito internacional.

Além disso, o impacto econômico preocupa. Em tempos de paz, cerca de 90% do petróleo iraniano segue para a China, principal destino da produção, muitas vezes por rotas indiretas.

Tensão cresce entre EUA, Irã e aliados

Trump afirmou que conta com apoio internacional, mas aliados europeus demonstraram resistência. O Reino Unido e a França discutem o tema, porém o premiê Keir Starmer afirmou que “esta não é nossa guerra”.

Enquanto isso, o governo iraniano classificou o bloqueio como “ridículo” e indicou que manterá sua estratégia de navegação. Teerã também alertou que qualquer ação militar em Hormuz pode violar o cessar-fogo.

Presença militar aumenta na região

Os EUA intensificaram a presença militar no entorno do estreito. Entre os navios destacados estão o USS Frank E. Peterson e o USS Michael Murphy.

Além disso, outras embarcações operam no Golfo de Omã, com sistemas antimísseis e drones para identificar minas. Segundo os EUA, ataques anteriores destruíram cerca de 160 embarcações iranianas.

Ainda assim, o risco permanece elevado. O uso de minas, drones e mísseis antinavio continua sendo a principal ameaça para petroleiros e cargueiros na região.

Conflito segue em outras frentes

Enquanto a disputa naval se intensifica, o conflito continua em outras áreas. Em Líbano, forças de Binyamin Netanyahu mantêm ofensivas contra o Hezbollah.

Nesta segunda-feira, ataques deixaram ao menos nove mortos. Além disso, Israel anunciou que pretende assumir o controle da cidade de Bint Jbeil, próxima à fronteira.

Disputa estratégica mantém tensão global

O controle do estreito de Hormuz segue como peça central no conflito. A região influencia diretamente os preços globais de energia, o que amplia o impacto da crise.

Assim, mesmo com uma trégua formal, a escalada de medidas e declarações mantém o cenário de instabilidade no Oriente Médio.

(*) Com informações da Folha de S.Paulo

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