O processo de regularização fundiária no Brasil pode levar meses ou até anos. Diante desse desafio, uma startup amazonense desenvolveu uma tecnologia capaz de acelerar o trâmite ao centralizar, em um único sistema, todas as informações necessárias para a titulação de terras.

Batizada de VivaAmazônia, a solução combina regularização fundiária com contabilidade verde. Além disso, garante mais transparência nos registros e facilita o acesso de órgãos públicos e moradores aos dados.

“O ‘VivaAmazônia’ chega para sanar o gargalo histórico da regularização no interior do estado, operando como uma inteligência de gestão que integra o plano produtivo à conformidade ambiental e sanitária. Não estamos apenas digitalizando processos, estamos implementando no Amazonas o mesmo rigor tecnológico e os modelos de governança de dados que hoje sustentam os maiores cases de sucesso ambiental no mundo”, destacou o CEO da Btracer, Expedito Belmont.

Sistema integra dados e reduz burocracia

A tecnologia foi desenvolvida com base em um sistema ERP (Enterprise Resource Planning). Na prática, isso significa que o software reúne documentos, cadastros, contatos, mapeamentos geográficos e outras informações essenciais em uma única plataforma.

Dessa forma, o processo se torna mais ágil, organizado e menos suscetível a erros. Além disso, a centralização dos dados facilita a análise por parte dos órgãos competentes.

Desafio da regularização no Amazonas

Atualmente, o Brasil possui mais de 12 mil favelas ou comunidades urbanas. Desse total, 392 estão no Amazonas. Em muitos desses locais, os imóveis não possuem documentação regularizada, como o Reurb, que comprova a titularidade do terreno.

Nesse contexto, a tecnologia surge como uma alternativa para reduzir a informalidade e ampliar o acesso à regularização.

Impacto direto para produtores rurais

A regularização fundiária também tem impacto direto no setor primário. Isso porque produtores com documentação em dia conseguem acessar crédito rural, obter licenciamento ambiental e participar de políticas públicas.

Segundo Belmont, esse é um dos principais diferenciais da ferramenta.

“A inclusão de tecnologia de ponta na gestão de terras não é exclusividade brasileira, mas o Amazonas se posiciona na vanguarda ao adaptar essas soluções para o que chamamos de Amazônia Profunda. O modelo da Btracer segue referências de países que superaram desafios similares, como a Costa Rica, Noruega e Quênia”, acrescentou Belmont.

Parceria com a Suframa fortalece iniciativa

Além do desenvolvimento tecnológico, a startup busca parcerias institucionais. Em reunião com o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, representantes apresentaram o projeto e discutiram impactos no acesso ao crédito, ações ligadas à agenda ESG e iniciativas para impulsionar o desenvolvimento sustentável na região.

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