O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reúne nesta segunda-feira (5) para discutir o ataque dos Estados Unidos à Venezuela. A ofensiva resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A sessão deve começar por volta das 12h, no horário de Brasília.

Pedido partiu da Colômbia

A Colômbia, que ocupa uma cadeira rotativa no Conselho, solicitou a reunião. Rússia e China, membros permanentes, apoiaram o pedido.

Durante a sessão, os países devem debater a legalidade da captura de Maduro. As autoridades norte-americanas levaram o ex-presidente venezuelano aos Estados Unidos, onde ele deve responder por acusações ligadas ao narcotráfico internacional e à posse de armas de guerra.

ONU alerta para precedente perigoso

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar alarmado com a situação. Segundo ele, a ação dos Estados Unidos cria um precedente perigoso para a ordem internacional.

Além disso, Guterres defendeu o respeito ao direito internacional. Ele citou a Carta da ONU, que proíbe o uso unilateral da força, salvo em casos de legítima defesa.

Em nota, o porta-voz Stéphane Dujarric reforçou que o secretário-geral vê com preocupação o descumprimento das normas internacionais. Para ele, todos os países devem respeitar as regras estabelecidas pela organização.

Brasil deve defender diálogo e multilateralismo

O Conselho de Segurança conta com 15 membros. Cinco deles são permanentes — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia — e têm poder de veto. Entre os membros rotativos está o Brasil.

Segundo fontes diplomáticas, o Brasil deve defender o multilateralismo e a América Latina como zona de paz. O posicionamento deve seguir a linha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a intervenção militar, mas sem citar países ou autoridades.

Além disso, o governo brasileiro pretende reforçar a importância do diálogo. A ideia é defender negociações cooperativas, sem o uso da força entre nações.

Ataque ocorreu na madrugada de sábado

O ataque dos Estados Unidos aconteceu por volta de 1h50 da madrugada de sábado (3), no horário local. Em Brasília, eram 2h50.

Moradores relataram ao menos sete explosões em Caracas. Além disso, aeronaves militares sobrevoaram a capital. Os estados de Miranda, Aragua e La Guaira também foram atingidos, com bombardeios em áreas civis e militares.

Trump anuncia captura de Maduro

Pouco depois do ataque, o presidente Donald Trump anunciou a captura de Maduro e de Cilia Flores. Segundo ele, o casal deixou a Venezuela logo após a ofensiva.

As forças norte-americanas transportaram os dois em um helicóptero militar até o navio de guerra Iwo Jima, da Marinha dos EUA. Em seguida, eles seguiram para Nova York.

Tensão entre os países já durava meses

A captura ocorreu após quatro meses de tensão entre Estados Unidos e Venezuela. Em setembro do ano passado, Washington iniciou uma operação naval contra o narcotráfico no Caribe e no Pacífico.

O governo norte-americano acusa Maduro de comandar cartéis latino-americanos que enviam drogas para os Estados Unidos. A operação se concentrou em áreas próximas às costas da Venezuela e da Colômbia.

Maduro enfrenta acusações na Justiça dos EUA

Maduro deve ser apresentado à Justiça nesta segunda-feira (5). De acordo com a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, ele responde a várias acusações.

Entre elas estão conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de metralhadoras e explosivos. Além disso, os promotores acusam o ex-presidente de conspirar para usar essas armas contra os Estados Unidos.

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