O Irã deve executar, nesta quarta-feira (14), um manifestante detido durante a atual onda de protestos contra o regime teocrático. Segundo organizações de direitos humanos, esta será a primeira execução oficial desde o início dos atos em dezembro, caso o governo concretize a sentença.
O grupo Hengaw, com sede na Noruega, informou que as autoridades detiveram Erfan Soltani, de 26 anos, na semana passada. A prisão ocorreu em sua residência no dia 8, após ele participar de manifestações na cidade de Fardis, perto de Teerã. A entidade afirma que a família de Soltani não obteve acesso às acusações ou aos detalhes do processo judicial.
Isolamento e falta de transparência
Os familiares receberam apenas o aviso de que a execução ocorreria, com direito a uma última visita, apenas quatro dias após a detenção do jovem. O Irã utiliza o enforcamento como método para a pena máxima e ocupa o segundo lugar no ranking mundial de execuções, atrás apenas da China. Dados da Anistia Internacional indicam que as autoridades iranianas executaram pelo menos 1.000 pessoas em 2025.
Atualmente, o país enfrenta um apagão quase total nas comunicações imposto pelo governo, o que impede a checagem independente de dados. Um integrante do regime afirmou à agência Reuters que cerca de 2.000 manifestantes morreram desde o início dos protestos.
Divergência nos números de vítimas
A ONG Iran Human Rights relatou, na segunda-feira (12), a confirmação de 648 mortes, mas alerta que o número real pode chegar a 6.000 vítimas. De acordo com a organização Netblocks, o bloqueio da internet já superava 108 horas nesta terça-feira (13). Ativistas acusam a República Islâmica de usar a censura para esconder a violência da repressão.
Embora o apagão digital persista, um jornalista da agência AFP relatou que a conexão telefônica internacional foi restabelecida nesta terça.
Pressão internacional e crise do regime
A atual revolta representa um dos maiores desafios à teocracia desde a Revolução Islâmica de 1979. Em resposta, os Estados Unidos anunciaram tarifas de 25% para quem comercializar com o Irã. Na Europa, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou nesta terça-feira que acredita que o regime iraniano “vive seus últimos dias”.
O cenário geopolítico agrava a crise interna. A Rússia, principal parceira de Teerã, segue desgastada pela guerra na Ucrânia. Além disso, aliados regionais sofreram quedas históricas: o ditador Bashar al-Assad caiu na Síria e o Hezbollah enfrentou perdas severas no Líbano.
Os protestos, que começaram motivados pela alta dos preços, agora focam na queda dos governantes religiosos que controlam o país há mais de 45 anos.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
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