As dinâmicas aplicadas aos participantes do BBB 26, especialmente no chamado Quarto Branco, passaram a ser alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF). O órgão abriu um inquérito civil para apurar se as condições impostas no reality show podem configurar tortura ou tratamento desumano e degradante.

A apuração foi motivada por uma Carta Aberta enviada pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), que criticou duramente o formato das provas. No documento, a comissão afirma que a metodologia adotada apresenta semelhanças com práticas de tortura utilizadas durante a ditadura civil-militar brasileira (1964–1985).

Um dos episódios citados foi o desmaio da participante Rafaella, que perdeu os sentidos após permanecer mais de 100 horas confinada e com alimentação restrita. Durante uma dinâmica que definiu quatro novos integrantes da casa — Chaiany Andrade, Gabriela Saporito, Leandro Rocha e Matheus Moreira — ela precisou ficar de pé sobre um pedestal por longos períodos, o que levou ao desmaio.

Segundo a comissão, a situação lembra métodos usados em regimes autoritários da América Latina para provocar sofrimento físico e psicológico.

Os candidatos que não foram escolhidos pelo público na Casa de Vidro permaneceram no Quarto Branco entre os dias 12 e 18 de janeiro, período em que ficaram sem banho e tiveram acesso apenas a água e biscoito tipo cream cracker. Durante esse tempo, foram submetidos a estímulos constantes, como barulhos e sirenes.

Outros episódios também foram mencionados na denúncia, como as convulsões do ator Henri Castelli durante uma prova de resistência para a liderança e a dinâmica recente que deixou o participante Breno Corã — e posteriormente Alberto Cowboy — isolado em uma área externa da casa.

De acordo com o MPF, o denunciante argumenta que as condições impostas pela produção podem colocar em risco a saúde física e psicológica dos participantes. O documento destaca ainda que submeter pessoas a situações potencialmente perigosas em nome do entretenimento pode representar violação da dignidade humana.

A decisão de instaurar o inquérito foi assinada pelo procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo. Segundo ele, a investigação busca esclarecer possíveis riscos à integridade dos participantes e reforça que a liberdade de produção das emissoras não autoriza o desrespeito a direitos fundamentais.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (6), o MPF afirmou que a proibição de tortura e de tratamento degradante é um princípio constitucional absoluto, que deve ser respeitado em qualquer contexto.

“O órgão entende que transformar o sofrimento humano em espetáculo é incompatível com os objetivos da República de construir uma sociedade justa e solidária”, diz o comunicado.

Nos autos do processo, a defesa da TV Globo informou que o programa conta com acompanhamento médico permanente, incluindo suporte de UTI móvel e protocolos para encaminhamento hospitalar quando necessário. A emissora afirmou ainda que Henri Castelli recebeu atendimento adequado e foi levado a unidades de saúde externas em duas ocasiões.

Agora, o Ministério Público aguarda que a emissora apresente esclarecimentos detalhados sobre os pontos levantados pela Comissão de Mortos e Desaparecidos.

Com informações da CNN

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