O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, adotou um tom desafiador em seu primeiro pronunciamento após substituir o pai, Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra a teocracia iraniana.
Com 56 anos, Mojtaba afirmou que suas forças continuarão fechando o estratégico Estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, como forma de “manter pressão sobre o inimigo”.
O pronunciamento escrito foi lido na TV estatal, já que Mojtaba, ferido no início da guerra, segue sem aparecer em público.
Ameaças e reparações
O líder declarou que o Irã valoriza a amizade com os vizinhos, mas continuará a atacar bases americanas em países aliados de Washington. “Elas devem fechar”, disse, acrescentando que exigirá reparações pelos danos da guerra, sob pena de “destruir os ativos” americanos e israelenses.
Ele também prometeu “vingar o sangue dos mártires, em especial dos de Minab”, em referência aos cerca de 180 mortos no bombardeio a uma escola na cidade homônima, a maioria estudantes.
Apelo à unidade e ligação com a Guarda Revolucionária
O tom duro de Mojtaba, refletindo sua proximidade com o comando militar da Guarda Revolucionária, foi suavizado por um raro apelo à oposição interna:
“A unidade entre todos os indivíduos e estratos da nação não deve ser prejudicada. Isso será alcançado deixando de lado os pontos de discordância.”
Ainda assim, não ficou claro se ele pretende afrouxar a repressão ou apenas apelar àqueles que criticam o regime.
Contexto da sucessão e perfil discreto
Mojtaba não se manifestava publicamente desde domingo (8), quando foi eleito líder por um colegiado de clérigos. Ele havia se ferido no ataque que matou seu pai e outros cinco membros da família, sofrendo fraturas leves e escoriações.
Antes, Khamenei, já debilitado e com mais de 80 anos, tinha no clérigo radical Ebrahim Raisi seu sucessor presumido. Porém, a morte de Raisi em 2024 abriu caminho para que Mojtaba assumisse, com a supervisão da Guarda Revolucionária e do chefe do Conselho de Segurança, Ali Larijani.
Desafios do novo líder
O enfraquecimento de representantes moderados no Irã e os recentes conflitos com Israel e EUA aumentaram o poder militar e político da Guarda Revolucionária. Enquanto isso, o presidente Masoud Pezeshkian teve sua autoridade ainda mais limitada.
Apesar das declarações duras, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que muitos navios ainda podem atravessar o Estreito de Hormuz se coordenarem com a Marinha iraniana. “Após os eventos atuais, de modo geral, não podemos retornar às condições anteriores a 28 de fevereiro”, declarou à agência Mehr.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
Leia mais:
