Aos 39 anos, Roberto Cidade passou a exercer interinamente o governo do Amazonas na noite deste sábado (4). Com isso, ele se tornou o mais jovem político a ocupar o cargo desde 2000.

A mudança ocorreu após as renúncias simultâneas do então governador Wilson Lima e do vice-governador Tadeu de Souza. Ambos enviaram cartas manuscritas a Cidade, que até então presidia a Assembleia Legislativa. A decisão foi oficializada no Diário Oficial.

Mudança histórica no cenário político

Com a transição, Roberto Cidade entra para a história recente da política amazonense. Além disso, a mudança surpreendeu aliados, adversários e o eleitorado.

Agora, o novo governador interino passa a avaliar uma possível candidatura à reeleição, ao mesmo tempo em que fortalece sua base política — movimento já observado em gestões anteriores no estado.

Histórico de sucessões no Amazonas

Levantamento do Portal Eixo Norte mostra que, desde 2000, o Executivo estadual tem sido marcado por renúncias estratégicas, cassações e sucessões conduzidas por vices ou presidentes da Assembleia.

Nesse contexto, o cargo de vice-governador ganhou protagonismo, muitas vezes influenciando diretamente os rumos políticos e eleitorais do Amazonas.

Governadores desde 2000

Amazonino Mendes aos 60 anos

Para entender o cenário atual, é necessário voltar a 1999, quando Amazonino iniciou seu último mandato do século 20, aos 60 anos. Na época, o Executivo passava por mudanças estruturais, como a transferência da sede para o atual Palácio do Governo, na zona oeste de Manaus.

Ele permaneceu no cargo até 2003, dando início a uma sequência de governadores mais experientes.

Eduardo Braga aos 42 anos

Em 2003, Eduardo Braga assumiu o governo aos 42 anos. Após ser reeleito, renunciou em 2010 para disputar o Senado, abrindo espaço para o vice.

Omar Aziz aos 51 anos

Vice de Braga, Omar Aziz assumiu em 2010, aos 51 anos. Posteriormente, foi eleito e permaneceu até 2014, quando também deixou o cargo para concorrer ao Senado.

José Melo aos 67 anos

José Melo assumiu em 2014, venceu a eleição no mesmo ano, mas teve o mandato cassado em 2017 pelo TSE, o que provocou nova mudança no comando estadual.

David Almeida aos 48 anos

Então presidente da Assembleia, David Almeida assumiu interinamente em 2017, permanecendo até a eleição suplementar que reconduziu Amazonino ao cargo.

Amazonino Mendes aos 77 anos

Em 2017, Amazonino retornou ao governo aos 77 anos, permanecendo até 2019.

Wilson Lima aos 42 anos

Eleito em 2018, Wilson Lima assumiu aos 42 anos e foi reeleito em 2022. Apesar de ter afirmado que permaneceria até o fim do mandato, renunciou em 2026 ao lado do vice.

Roberto Cidade aos 39 anos

Com a posse interina, Roberto Cidade se torna o mais jovem governador do Amazonas nas últimas décadas, consolidando seu nome na política estadual.

Quem é Roberto Cidade

Nascido em Manaus, em 2 de outubro de 1986, Roberto Cidade é filho de Roberto Maia Cidade e Ângela Arruda Cidade. Casado com Thaísa Coelho Cidade, é pai de quatro filhos. Ele é bacharel em Administração e Gestão Pública.

Iniciou a trajetória política em 2016, quando disputou uma vaga na Câmara Municipal. Em 2018, assumiu mandato e, posteriormente, foi eleito deputado estadual com 33.239 votos.

Na Assembleia, ganhou destaque ao assumir cargos estratégicos, como a 3ª vice-presidência e a presidência da Comissão de Transportes. Em 2020, aos 34 anos, tornou-se o presidente mais jovem da história da Aleam.

Durante sua gestão, conduziu votações importantes, como a criação do auxílio estadual permanente, a aprovação da Lei do Gás e a destinação de recursos para a saúde no interior.

Em 2022, foi reeleito com 105.510 votos — a maior votação da história do Amazonas — e reconduzido à presidência da Assembleia por unanimidade nos biênios seguintes.

Em 2024, assumiu o diretório municipal do União Brasil e disputou a Prefeitura de Manaus, obtendo 187.566 votos.

Novo momento político

Agora, ao assumir o governo estadual, Roberto Cidade se posiciona como um dos principais nomes da política amazonense. Dessa forma, ele passa a reunir juventude, experiência legislativa e forte capital eleitoral, fatores que podem influenciar diretamente o cenário das eleições de 2026.

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