O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar seus aliados europeus durante a reunião de cúpula da Otan nesta terça-feira (7). Um ano após conseguir avanços no aumento dos gastos militares dos países membros, o republicano retomou antigas críticas à aliança e voltou a mencionar o interesse americano pela Groenlândia.
Trump fez as declarações durante um encontro com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anfitrião da reunião.
“Eu estava bastante desapontado com a Otan. Nós não fomos tratados bem porque eu fiz algo no Irã. Eu estava testando as pessoas”, disse, ao comentar as críticas feitas aos países europeus que não participaram da ação militar iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Presidente americano critica postura europeia
Após a resistência de alguns países europeus em apoiar a operação, Trump chegou a chamar a Otan de “covarde” e classificou a organização como um “tigre de papel” sem capacidade de agir sem a liderança dos Estados Unidos.
Além disso, o presidente americano afirmou que a posição do Reino Unido poderia ter afetado a permanência do primeiro-ministro Keir Starmer no cargo.
“No caso do Reino Unido, o premiê, eu acho que ele não está mais lá, talvez por causa disso”, afirmou.
Starmer enfrenta dificuldades políticas por diferentes motivos, mas a resistência em apoiar Trump não aparece como principal causa. Uma pesquisa do Ipsos UK apontou que quase 60% dos britânicos rejeitaram a ação militar americana.
Trump volta a defender controle da Groenlândia
Durante a reunião, Trump também recuperou o tema da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca. A proposta de controle da ilha pelos Estados Unidos já havia provocado críticas entre países europeus em outras ocasiões.
Segundo o presidente americano, a localização estratégica da região justifica uma possível mudança de controle.
“A Dinamarca não gasta dinheiro para realmente ajudar a Groenlândia, mas é uma importante parte para os EUA, e está cercada por navios chineses e russos. Deveria ser controlada pelos EUA, não pela Dinamarca”, afirmou.
A Groenlândia possui relevância militar para Washington. A ilha fica em uma posição estratégica para o monitoramento de possíveis trajetórias de mísseis russos em direção aos Estados Unidos.
Além disso, críticos de Trump apontam que o interesse americano também pode estar relacionado às reservas de minerais estratégicos, terras raras e petróleo existentes na região.
Declarações geram desconforto entre diplomatas
Apesar das novas críticas, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan não demonstrou reação negativa às declarações de Trump. O líder turco mantém uma relação próxima com Vladimir Putin e já teve conflitos diplomáticos com outros integrantes da Otan, incluindo a Grécia.
Por outro lado, as falas do presidente americano provocaram preocupação entre diplomatas. O encontro era visto como uma oportunidade para reforçar a presença de Trump na cúpula, mesmo diante de ameaças anteriores de reduzir o envolvimento dos Estados Unidos na defesa europeia.
Trump também chegou ao evento após um novo atrito com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni. Ainda assim, levou uma grande comitiva americana, formada por mais de mil pessoas, incluindo empresários interessados nas oportunidades geradas pelo aumento dos investimentos militares europeus.
Países da Otan ampliam gastos com defesa
O aumento dos gastos militares dos países membros da Otan se tornou uma das principais bandeiras de Trump, especialmente após o início da guerra na Ucrânia.
Segundo a organização, os integrantes da aliança, sem considerar os Estados Unidos, aumentaram em 20% os investimentos em defesa.
Na cúpula anterior, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, buscou aproximar a organização do governo americano e defendeu uma nova meta de gastos militares. A proposta prevê que os países aliados alcancem 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em investimentos de defesa até 2035.
(*) Com informções da Folha de S.Paulo
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