O presidente Donald Trump afirmou no sábado (3) que os Estados Unidos assumiriam o controle das enormes reservas de petróleo da Venezuela e recrutariam empresas americanas para investir bilhões de dólares na revitalização da indústria petrolífera devastada do país.

A Venezuela possui reservas estimadas em 303 bilhões de barris de petróleo bruto — cerca de um quinto das reservas globais, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA (EIA). Esse volume desempenhará papel central no futuro do país.

Impacto no mercado ainda é incerto

Os contratos futuros de petróleo não são negociados nos fins de semana, o que torna incerto o impacto imediato da declaração sobre os preços. Mesmo assim, Trump afirmou que os EUA administrariam o governo venezuelano neste primeiro momento.

“Vamos fazer com que nossas gigantescas companhias petrolíferas dos Estados Unidos — as maiores do mundo — entrem em cena, gastem bilhões de dólares e consertem a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado”, disse Trump durante coletiva de imprensa em Mar-a-Lago.

Indústria petrolífera enfrenta colapso estrutural

Mesmo que o acesso internacional fosse totalmente restabelecido, especialistas avaliam que levaria anos para a produção venezuelana se recuperar. A estatal PDVSA afirma que seus oleodutos não são modernizados há cerca de 50 anos e que seriam necessários US$ 58 bilhões para atualizar a infraestrutura e retomar níveis máximos de produção.

“Para o petróleo, isso tem potencial para ser um evento histórico”, disse Phil Flynn, analista sênior de mercado do Price Futures Group. “O regime de Maduro e (o ex-presidente venezuelano) Hugo Chávez basicamente saquearam a indústria petrolífera venezuelana.”

Maior reserva do mundo, mas produção limitada

Apesar de deter a maior reserva comprovada de petróleo do planeta, a Venezuela produz atualmente cerca de 1 milhão de barris por dia, o equivalente a 0,8% da produção mundial. O número representa menos da metade da produção anterior à chegada de Maduro ao poder, em 2013, e menos de um terço dos 3,5 milhões de barris produzidos antes do regime socialista.

Segundo a EIA, sanções internacionais, crise econômica, falta de investimentos e manutenção contribuíram para o colapso do setor energético venezuelano.

Preços do petróleo devem reagir de forma moderada

Os preços do petróleo seguem sob controle em 2026 devido ao risco de excesso de oferta global. A OPEP ampliou a produção, enquanto a demanda diminuiu em meio à desaceleração econômica e aos efeitos da inflação pós-pandemia.

“Psicologicamente, isso pode dar um pequeno impulso, mas a Venezuela tem petróleo que pode ser facilmente substituído por uma combinação de produtores globais”, avaliou Flynn.

Petróleo pesado venezuelano é estratégico

O petróleo bruto da Venezuela é pesado e ácido, exigindo tecnologia específica para extração e refino. Esse tipo de óleo é essencial para a produção de diesel, asfalto e combustíveis industriais, itens atualmente em escassez global.

“Se de fato tudo continuar correndo bem — e até agora parece uma operação magistral — e as empresas americanas forem autorizadas a voltar e reconstruir a indústria petrolífera venezuelana, isso poderá mudar completamente o mercado global de petróleo”, disse Flynn.

Trump classificou o setor petrolífero venezuelano como “um fracasso total”.

“Eles estavam bombeando quase nada em comparação com o que poderiam ter bombeado e com o que poderia ter acontecido”, afirmou.

Especialistas projetam efeitos no longo prazo

Para analistas, os impactos reais nos preços dependerão da estabilidade política e da capacidade de recuperação do setor. Bob McNally, presidente da consultoria Rapidan Energy Group, disse à CNN que o efeito deve ser “modesto”, a menos que haja instabilidade social.

“A Venezuela pode se tornar um assunto muito importante, mas não nos próximos 5 a 10 anos”, afirmou McNally.

Helima Croft, chefe de estratégia global de commodities da RBC Capital Markets, destacou que o mercado aguarda sinais concretos. “Tudo depende de a Venezuela desafiar o histórico recente de tentativas de mudança de regime lideradas pelos EUA”, disse. “Acho que precisamos de muito mais detalhes antes de declararmos ‘Missão Cumprida’.”

(*) Com informações da CNN Brasil

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