O governo do Irã intensificou a pressão contra os manifestantes que desafiam o regime teocrático há mais de duas semanas. Sob a ameaça direta de um ataque militar dos Estados Unidos, Teerã prepara uma resposta armada e promete retaliação contra bases americanas no Oriente Médio.
Os protestos, iniciados contra a crise econômica, tornaram-se a maior ameaça à teocracia desde 1979. Embora a brutal repressão policial tenha reduzido o escopo das manifestações, o movimento segue ativo em diversas regiões.
Blecaute informativo e repressão policial
Análises do Instituto para Estudo da Guerra (EUA) revelam uma queda acentuada nos atos a partir da última quinta-feira (8), data em que o regime iniciou um corte radical na internet e na telefonia móvel. O número de cidades com protestos verificáveis caiu de 156 para apenas seis nesta terça-feira (13).
A violência estatal acompanha esse isolamento. A ONG Hrana contabiliza 2.403 mortos até terça-feira, enquanto a organização Iran Human Rights cita 3.428 vítimas. Para impedir o escoamento de imagens, a polícia realiza batidas para apreender antenas da Starlink, sistema de satélite utilizado por ativistas para driblar o apagão digital.
EUA sinalizam movimentação militar
Nesta quarta-feira (14), os sinais de uma possível ação militar dos EUA aumentaram. Relatos indicam que Washington determinou a retirada de pessoal de bases estratégicas no Oriente Médio, incluindo a unidade de Al-Udeid, no Qatar.
O governo Donald Trump parece inclinado a ataques aéreos cirúrgicos para atingir a cúpula do regime sem causar baixas civis massivas. Contudo, o Irã já alertou os países vizinhos que atacará qualquer base que sirva de plataforma para agressões ao seu território.
Prontidão da Guarda Revolucionária
A Guarda Revolucionária, que controla setores vitais do Estado iraniano, afirma estar pronta para o conflito. Majid Mousavi, comandante do braço aeroespacial, declarou prontidão total à mídia local:
“Estamos no auge de nossa prontidão”, afirmou Mousavi.
O comandante alegou ainda que os danos sofridos pela defesa aérea na guerra contra Israel, em junho passado, já foram reparados — declaração recebida com ceticismo por especialistas, dado o desempenho pífio dos mísseis balísticos iranianos naquele conflito.
Diplomacia e o fator Donald Trump
Enquanto o presidente Donald Trump incentiva os manifestantes a permanecerem nas ruas, Teerã busca apoio diplomático com Qatar, Emirados Árabes Unidos e Turquia. O chanceler Abbas Araghchi tenta transmitir uma imagem de controle interno.
Nos bastidores, aliados dos EUA como Arábia Saudita e Omã alertam o governo americano sobre os riscos de desestabilização do mercado de petróleo e de uma guerra regional generalizada.
Paralelamente, surge a figura de Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979, como um possível nome de consenso para a oposição. Teerã acusa Washington de fomentar a revolta para instalar um governo alinhado aos interesses americanos em uma região rica em recursos energéticos.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
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