É o que revela de forma fundamentada e explicada em detalhes e com linguagem acessível o livro “A Amazônia e a ZFM – Caminhos Independentes” (Costa, 2021 – Editora Et Al 2021), que analisou estudos científicos disponíveis sobre a matéria, entre os quais o da UFAM de 2009 e o da FGV de 2019, difundidos por instituições diversas e pela classe política em geral.
A análise identificou e demonstrou alguns dados técnicos dos 2 estudos que ensejariam sua reformulação, cujo resultado implica na reversão da tese de proteção da floresta pela existência do PIM.
Além da base técnica que fundamentou a conclusão do livro (disponível na internet), há nele outras abordagens socioeconômicas que podem contribuir com a discussão da narrativa de que sem o PIM haveria uma invasão da floresta pela população manauara, o que comprometeria a atual proteção da cobertura florestal de 97% que existe no Amazonas, quais sejam:
1- o PIM não se utiliza da floresta e a floresta não se utiliza do PIM, não havendo comunicabilidade econômica entre si;
2- as atividades na floresta do Amazonas semelhantes às atividades no Pará, por exemplo, independem e não concorrem com o PIM e estão livres para serem exercidas há anos – porque não ocorrem é uma outra discussão;
3- a eventual justificativa de que a regulamentação ambiental do AM é um obstáculo para o desenvolvimento de atividades na floresta também não tem qualquer relação com a ZFM;
4- como exemplo real, investidores em cultivo de soja, extração de madeira ou criação de gado, não precisam de projetos de incentivos fiscais e não se enveredam na fabricação de motos ou TV – porque precisariam esperar que o PIM fechasse para empreender no ramo que atuam?;
5- num improvável desmonte da ZFM, uma menor parte dos seus 500 mil empregados e respectivos 1,5 milhão de dependentes certamente permaneceria naturalmente em Manaus como cidade sem incentivos fiscais, mas o maior contingente não caberia nas cidades do interior, dado que todas têm déficit habitacional e apenas 3 dos 61 municípios têm população de pouco mais de 100 mil habitantes (menos que o bairro Novo Aleixo em Manaus) – em todos os demais a população não chega a 100 mil;
6- o interior não tem aeroportos nem ligação rodoviária na maioria das cidades, não tem assistência médica particular ou estatal como tem a capital, não tem Shopping Centers nem abastecimento regular de víveres, não tem redes de ensino particulares, não tem internet razoável e carece de energia elétrica;
7- em geral não habitam o interior os juízes, médicos e outros servidores que não sejam locais, pela falta histórica das condições básicas estruturais – porque um trabalhador da indústria privada de Manaus iria morar nestas cidades?;
8- para exercer atividades com a floresta, o manauara do PIM teria que aprender o trato com motosserras e tratores, superar a questão fundiária na qual é sabido que não há terra legalizada disponível, não há logística de escoamento de produção, e teria ainda que converter sua formação profissional básica atualmente voltada às demandas de um polo industrial e comercial urbano;
9- o êxodo rumo ao interior, mesmo que por hipótese, causaria ainda um vácuo de ocupação de seus imóveis na capital que não teria como ser superado; seu parque de mais de 1 milhão de veículos teria que ser desmontado;
10- o trabalhador com algum vínculo junto à ZFM teria ainda que redirecionar sua poupança para aquisição de moradias que não existem no interior e aplicar seu capital em empreendimentos que desconhece.
Com a revisão dos estudos científicos e sua consequente nova posição, e analisando a realidade conjuntural de uma eventual incursão aventureira na floresta, não é possível afirmar que o PIM protege a Amazônia.
A ZFM não precisa ser justificada por um apelo ambiental que não existe.

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