Natural de Manaus, Alessandra Campelo da Silva é jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), pós-graduada em Planejamento Governamental e Orçamento Público pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e policial civil concursada. Deputada estadual em terceiro mandato na Assembleia Legislativa do Amazonas, foi eleita pela primeira vez em 2014, sendo a única mulher eleita naquele pleito.
Em 2018, conquistou a reeleição e, em 2022, foi novamente eleita, desta vez como a quarta mais votada entre os 24 parlamentares da Casa.
Entre 2021 e 2022, licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas), onde ajudou o governador Wilson Lima a elaborar e executar programas de largo alcance social, como o Auxílio Estadual Permanente, Prato Cheio, Crédito Rosa e Dignidade Menstrual.
Atualmente, Alessandra Campelo lidera a Procuradoria Especial da Mulher e a Comissão da Mulher, da Família e da Pessoa Idosa da Assembleia Legislativa do Amazonas. Suas principais pautas de atuação são a defesa dos direitos das mulheres, assistência social, apoio aos municípios, proteção às crianças e adolescentes, incentivo ao esporte e fortalecimento de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e segurança.
EM TEMPO – Entre os projetos de lei de sua autoria, quais já estão em vigor e têm gerado impacto direto na vida da população?
ALESSANDRA CAMPELO – Tenho muito orgulho de dizer que diversos projetos de minha autoria já estão em vigor e impactam diretamente a vida das mulheres amazonenses. Destaco especialmente a Lei nº 7.119/2024, que estabelece diretrizes para o enfrentamento à violência vicária, um tema extremamente sensível e urgente. Também ressalto a Lei nº 6.346, que instituiu o Dia Estadual de Meninas e Mulheres na Ciência, fortalecendo políticas de incentivo à presença feminina nas áreas de tecnologia e inovação. Outro marco foi a criação da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas, por meio da Resolução nº 960/2022. Essa estrutura não é apenas simbólica – ela acolhe, orienta, promove campanhas educativas e atua como instrumento de defesa institucional das mulheres. Além disso, temos leis voltadas à conscientização sobre importunação sexual, políticas de prevenção à violência doméstica e medidas de fortalecimento da rede de proteção. Aprovamos as leis de combate à violência obstétrica e dignidade menstrual, que garantem parto humanizado e distribuição de absorventes higiênicos para meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade. São legislações que saíram do papel e hoje ajudam a proteger, informar e transformar realidades.
ET – Como a senhora avalia a violência vicária e de que maneira a Lei pode auxiliar as vítimas?
AC – A violência vicária é uma das formas mais cruéis de violência contra a mulher. Ela ocorre quando o agressor utiliza os filhos ou pessoas próximas como instrumento para atingir emocionalmente a mulher.
É um tipo de violência psicológica devastadora, que deixa marcas profundas. A Lei 7.119/2024 estabelece diretrizes para conscientização, prevenção e enfrentamento desse tipo de crime no Amazonas. Ela fortalece campanhas educativas, orienta políticas públicas e amplia o debate institucional sobre um tema que muitas vezes é invisibilizado. Quando o Estado reconhece a violência vicária, ele passa a agir para preveni-la.
ET – Como a senhora avalia a participação feminina na ciência?
AC – Ainda temos um caminho a percorrer. As meninas precisam ser incentivadas desde cedo a acreditar que pertencem às áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática. A criação do Dia Estadual de Meninas e Mulheres na Ciência é uma ação simbólica, mas também estratégica. Não é apenas sobre representatividade – é sobre oportunidade. Quando uma menina vê outra mulher ocupando espaços na ciência, ela entende que também pode chegar lá. Isso impacta o futuro econômico e social do nosso estado.
ET – De que maneira o Estado atua no enfrentamento à violência contra mulheres? Quais ações a senhora pode destacar?
AC – O Amazonas avançou muito nos últimos anos. Hoje temos ampliação das Delegacias Especializadas em Crimes contra a Mulher em Manaus e fortalecimento da rede de proteção no interior, com apoio do Governo do Estado, sob a liderança do governador Wilson Lima. Além disso, campanhas educativas, capacitação de profissionais e integração entre órgãos têm sido fortalecidas. Como base do governo, reconheço que ainda há desafios, mas também reconheço que houve investimento real na estrutura da rede de proteção.

ET – Quais os principais problemas enfrentados pelas mulheres no interior?
AC – O Amazonas tem dimensões continentais. Isso significa desafios logísticos enormes. No interior, muitas mulheres enfrentam isolamento geográfico, dificuldade de comunicação, ausência de sinal de telefonia e internet, além da distância física das delegacias e centros de atendimento. Nosso mandato atua apoiando políticas de interiorização da rede de proteção, fortalecendo campanhas itinerantes e cobrando ampliação de serviços. A mulher ribeirinha, indígena e do interior precisa ser vista e ouvida.
ET – Como o poder público intensifica campanhas contra importunação sexual em grandes eventos?
AC – Desde a criação da Procuradoria Especial da Mulher, uma de nossas atribuições é promover campanhas educativas permanentes. Em festas populares nos municípios, levamos orientações e mensagens claras contra a importunação sexual. O recado é simples: não é não. Essas campanhas começaram em 2023 e seguem sendo fortalecidas. Informação é prevenção.
ET – Como define sua atuação ao longo dos mandatos de deputada estadual na Aleam?
AC – Minha atuação é marcada pela defesa firme dos direitos das mulheres. Tenho buscado transformar indignação em legislação, dor em política pública e pauta social em estrutura institucional. Ao longo dos mandatos, elaborei leis, resoluções e ações voltadas ao combate à violência, à promoção da igualdade e à ampliação da representatividade feminina. Minha trajetória é coerente: defesa das mulheres, fortalecimento dos municípios e compromisso social.
ET – Como avalia o sistema político nacional?
AC – O sistema político brasileiro ainda precisa avançar na representatividade feminina. Embora as mulheres sejam mais da metade da população, ainda somos minoria nos parlamentos. Democracia sem mulheres não é democracia plena. Precisamos ampliar a presença feminina nos espaços de decisão, porque quando mulheres participam, as políticas públicas se tornam mais humanas e inclusivas.
ET – Quais suas projeções para 2026?
AC – Sou candidata à reeleição. Acredito que ainda temos muito a avançar na legislação e na aplicação de políticas públicas nas áreas prioritárias do meu mandato: combate à violência, autonomia econômica feminina, apoio aos municípios e fortalecimento da rede de proteção. Faço parte do grupo político do governador Wilson Lima e seguirei caminhando conforme a orientação do grupo, sempre pensando no desenvolvimento social e econômico do Amazonas. Minha prioridade é continuar trabalhando com coerência, responsabilidade e compromisso com as mulheres e com o povo amazonense.
