No dia a dia do meu consultório, percebo que a região genital masculina ainda é cercada por um tabu que, muitas vezes, retarda diagnósticos essenciais. Diferentemente de uma mancha no braço ou de uma irritação no rosto, as lesões na genitália costumam vir acompanhadas de um misto de medo, vergonha e, não raro, uma tentativa perigosa de automedicação.
No entanto, como urologista, meu papel é desmistificar esse cuidado: feridas na região íntima não são apenas desconfortáveis; elas são sinais que o corpo envia e que jamais devem ser ignorados. Entender o que está acontecendo e quando procurar ajuda é o primeiro passo para a cura e para a preservação da sua saúde sexual e geral. Uma das causas mais comuns de queixas no meu consultório é a candidíase.
Embora muitos pensem ser uma exclusividade feminina, a infecção fúngica é uma grande causadora de inflamações no homem. Ela se manifesta através de vermelhidão, irritação intensa, fissuras na pele, mau cheiro e, em alguns casos, pequenas ulcerações na glande e no prepúcio. Quando essa inflamação se torna crônica, podemos observar a formação de placas brancas e um endurecimento da pele.
Em episódios recorrentes, muitas vezes indico a cirurgia de postectomia (circuncisão), que permite que a glande e a pele fiquem mais expostas e secas, dificultando a proliferação do fungo. Outro ponto que gera confusão é a dermatite de contato. A pele da região genital é extremamente sensível e pode reagir negativamente a sabonetes muito alcalinos, tecidos sintéticos, substâncias irritantes ou até ao látex do preservativo.
O resultado são fissuras e uma vermelhidão que muitas vezes o paciente confunde com uma infecção, mas que exige um olhar clínico para identificar o agente causador do processo alérgico. Não podemos falar de feridas genitais sem mencionar as Infecções de Transmissão Sexual (ISTs).
O diagnóstico precoce de uma sífilis, herpes ou HPV não apenas facilita o tratamento, mas interrompe a cadeia de transmissão. Muitas dessas feridas podem ser indolores, o que engana o paciente e o faz acreditar que “não é nada demais”.
Contudo, o que mais me preocupa como médico é a mancha que sempre esteve lá e que mudou de cor, espessura e merece uma avaliação cuidadosa e, por vezes, uma biópsia. Algumas dessas lesões podem ser pré-malignas ou, em casos mais graves, já representarem um câncer de pênis.
A detecção precoce é o que separa um tratamento simples de uma cirurgia mutiladora. Não espere a próxima semana. Recomendo procurar ajuda médica, seja de um urologista ou dermatologista, imediatamente se notar: Ulcerações ou feridas abertas, verrugas, pequenos “calos” ou “cristas” que estão surgindo ou crescendo. Dor, sangramento, coceira ou secreção incomum.
No consultório, o ambiente é de total sigilo e profissionalismo. Meu objetivo é oferecer um diagnóstico preciso e eficaz. Não deixe que a vergonha seja maior do que o seu cuidado com a vida. A saúde do homem começa pela prevenção e termina com o fim do preconceito. Cuide-se.

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