O governo brasileiro doou mais de 20 mil toneladas de alimentos a Cuba, que enfrenta uma crise econômica e humanitária agravada pelo bloqueio à importação de petróleo imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ao todo, o envio inclui 20 mil toneladas de arroz com casca, 150 toneladas de feijão preto, 150 toneladas de arroz polido e 500 toneladas de leite em pó, totalizando 20,8 mil toneladas de comida. Os números foram fornecidos a jornalistas pelo Ministério das Relações Exteriores.
Envio ocorre por meio da ONU
As doações acontecem por meio do programa de alimentos da ONU e ainda não chegaram ao destino. Além disso, o Brasil também tem enviado medicamentos. Nesse caso, a logística é mais simples, pois os produtos são menos volumosos e seguem por via aérea, e não marítima.
A iniciativa faz parte de ações humanitárias e de cooperação internacional já em andamento entre os países .
Crise em Cuba se intensifica com sanções
Cuba enfrenta uma de suas mais graves crises econômicas e humanitárias desde a revolução de 1959. O cenário se agravou com o veto ao comércio de petróleo venezuelano com a ilha, imposto por Trump.
Como resultado, o país sofre com apagões de até 20 horas diárias, hotéis fechados, voos cancelados e suspensão da coleta de lixo e de serviços básicos. Ao mesmo tempo, o regime cubano negocia com os Estados Unidos uma forma de encerrar o bloqueio.
Além disso, Washington pressiona países que mantêm relações com a ilha. Antes da operação em Caracas, o México também enviava petróleo para Cuba com fins humanitários, mas interrompeu as remessas.
Declarações de Trump aumentam tensão
Na última segunda-feira (16), Trump voltou a falar publicamente sobre a possibilidade de tomar Cuba.
“Ouvi minha vida toda sobre os Estados Unidos e Cuba. ‘Quando é que os EUA vão fazer isso?’. Eu realmente acredito que terei a honra de tomar Cuba”, disse Trump no Salão Oval da Casa Branca.
No mesmo dia, o país de 10 milhões de habitantes sofreu um colapso total da rede elétrica e ficou sem luz. O abastecimento só foi normalizado nesta quarta-feira (18).
Histórico de tensão entre EUA e Cuba
A ilha caribenha segue como um tema sensível na política interna americana. Durante a Guerra Fria, Cuba foi aliada da União Soviética e está localizada a menos de 200 km do território dos Estados Unidos.
Em 1962, os soviéticos tentaram instalar em território cubano mísseis com capacidade de carregar armas atômicas, o que permitiria ataques rápidos aos EUA. O episódio ficou conhecido como Crise dos Mísseis e marcou um dos momentos mais críticos da história, quando o mundo esteve próximo de uma guerra nuclear.
Peso político dos cubanos nos EUA
Além disso, imigrantes cubanos se tornaram, ao longo dos anos, um grupo político influente nos Estados Unidos, especialmente na Flórida — estado-chave em eleições presidenciais.
A principal representação política desse grupo costuma se alinhar ao Partido Republicano, de Donald Trump, e defender a derrubada do regime cubano.
O secretário de Estado, Marco Rubio, chefe da diplomacia americana, é descendente de imigrantes cubanos e figura entre os principais representantes da ala política que defende a mudança de regime na ilha.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
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