Com o início do período de entrega da declaração do Imposto de Renda, especialistas do setor imobiliário destacam uma oportunidade para quem busca financiamento da casa própria, especialmente entre trabalhadores autônomos e informais, que somam cerca de 25,5 milhões de brasileiros, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho compiladas pelo CEIC/World Bank. Para esse público, o momento pode ser decisivo na tentativa de viabilizar a compra do primeiro imóvel ou avançar no processo de crédito imobiliário.

De acordo com o diretor de Crédito Imobiliário da MRV, Alan Tadeu, a declaração do Imposto de Renda pode ter papel relevante na análise de crédito. Isso porque o documento reúne informações sobre renda, bens, dívidas e evolução patrimonial. Dessa forma, ele ajuda as instituições financeiras a avaliar a capacidade de pagamento do solicitante.

Além disso, ao contrário do que muitos acreditam, não é necessário ter carteira assinada para conseguir financiamento imobiliário. O principal critério analisado pelos bancos é a capacidade de pagamento, que pode ser comprovada de diferentes formas, incluindo a própria declaração do IR.

Segundo o executivo, organizar corretamente a declaração pode facilitar a aprovação do crédito. Por outro lado, inconsistências ou omissões podem dificultar a análise. Por isso, é importante que o documento esteja completo e acompanhado do recibo de entrega e do extrato da Receita Federal.

Declaração do IR e planejamento da compra do imóvel

Além de ajudar na aprovação de crédito, a declaração também pode ser usada como ferramenta de planejamento. Assim, o consumidor consegue avaliar melhor sua situação financeira e identificar o momento ideal para a compra da casa própria.

Da mesma forma, quem já possui financiamento imobiliário pode utilizar o documento para organizar informações atualizadas sobre o imóvel e o contrato. Isso contribui para um controle mais claro do orçamento ao longo do tempo.

Isenção do IR e impacto na renda

Por outro lado, as mudanças na tabela do Imposto de Renda, que passaram a valer em 2026, ampliam o poder de compra de parte dos brasileiros. Com a isenção para quem recebe até R$ 5 mil por mês, há aumento da renda disponível.

Consequentemente, esse valor pode ser direcionado para a entrada do imóvel ou para o pagamento das parcelas do financiamento. Segundo Alan Tadeu, isso representa um reforço importante no planejamento da compra.

“Esse aumento na renda disponível em virtude da nova faixa de isenção do IR pode ser um diferencial importante no planejamento da compra do imóvel. Com mais dinheiro sobrando todo mês, o consumidor ganha fôlego para dar entrada e organizar melhor seu orçamento ao longo do financiamento”, afirma.