O espetáculo “Borboletas bebem lágrimas de tartarugas”, dirigido e interpretado por Ítalo Rui, chega a um novo cenário e, desta vez, será apresentado ao ar livre. Após estreia no Teatro da Instalação, a montagem será exibida nesta quarta-feira (22), às 9h, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus, com entrada gratuita.

Além disso, a obra nasce de uma pesquisa inspirada em comportamentos de espécies amazônicas e foi desenvolvida em parceria com pesquisadores locais.

Espetáculo transforma ciência em arte

A montagem transforma em linguagem cênica o fenômeno conhecido como lacrofagia. Nesse processo, as tartarugas eliminam o excesso de sódio por meio das lágrimas, enquanto borboletas se alimentam desse líquido rico em nutrientes.

Na dramaturgia de Pricila Conserva, o fenômeno ganha dimensão simbólica e, assim, conduz reflexões sobre território, memória, ancestralidade, luto e autoconhecimento.

Para construir o espetáculo, a equipe artística realizou um mês de imersão no Centro de Estudos dos Quelônios da Amazônia, do INPA, e também no borboletário do Museu da Amazônia, acompanhando de perto o trabalho científico.

Um ator, múltiplas histórias em cena

O monólogo apresenta a trajetória de Tapy, uma tartaruga que aprende, desde cedo, sobre o tempo do rio, das coisas e de si. Em cena, Ítalo Rui interpreta seis personagens e utiliza o teatro de formas animadas, combinando corpo, texto e manipulação de bonecos.

“Vi um vídeo em que apareciam borboletas sobrevoando as tartarugas, uma imagem linda e comecei a pesquisar mais sobre tartarugas. Foi quando descobri que elas depositam seus ovos nos mesmos bancos de areia em que nasceram. Percebi que há uma relação muito forte com o território, com o lugar de onde elas vieram e que as borboletas se nutrem das lágrimas delas”, conta o ator Ítalo Rui.

Além de atuar, o artista assina a direção e o argumento. A equipe reúne profissionais em diversas áreas, como dramaturgia, trilha sonora, iluminação e acessibilidade em Libras.

Parceria entre arte e ciência

Durante o processo criativo, os artistas acompanharam a rotina de pesquisadores no INPA. Assim, participaram de atividades práticas, como manejo e cuidado com os animais.

“Apesar de que as perspectivas são muito diferentes, Ítalo e sua equipe são muito simpáticos e a interação foi muito positiva. Foi fácil encontrar pontos de convergência”, conta Gabriel Jorgewich Cohen, biólogo, pesquisador adjunto do Inpa.

No MUSA, o grupo também acompanhou o ciclo completo das borboletas, desde a coleta das plantas hospedeiras até a metamorfose.

“Trazer eles pra essa convivência com a gente foi, foi acho que animado, empolgante, porque algo que é muito comum pra gente, mas para eles era novidade, eles ficavam maravilhados com cada processo”, conta Raymê Carvalho, bióloga responsável pelo Laboratório de Borboletas e o Borboletário do MUSA.

Temporada gratuita em Manaus

Foto: Divulgação

Além da apresentação no INPA, o espetáculo terá duas sessões no MUSA, no dia 25 de abril, às 9h e às 15h.

O projeto foi contemplado pelo edital nº 07/2024 de fomento às ações culturais de teatro da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas.

Anteriormente, a montagem já passou pelo Teatro da Instalação e pela Escola de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Serviço

Espetáculo: “Borboletas bebem lágrimas de tartarugas”
Data: 22/04/2026
Horário: 9h
Local: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

Data: 25/04/2026
Horários: 9h e 15h
Local: Museu da Amazônia – Av. Margarita, 6305, Cidade de Deus

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