Mãe, avó, empresária e educadora, Maria do Carmo Seffair construiu sua trajetória com forte atuação na área da educação no Amazonas. Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Amazonas e em Direito pela Universidade Nilton Lins, é mestre em Direito Processual pela Universidade de São Paulo e doutora pela PUC-Minas.

Há mais de duas décadas, fundou, ao lado do esposo, a Faculdade Fametro, em Manaus, onde atualmente é reitora do Centro Universitário Fametro. Também atua como mantenedora da Faculdade Santa Teresa e CEO do CPJUR.

Com presença crescente na vida pública, é pré-candidata ao Governo do Amazonas pelo PL. Casada, é mãe de três filhos e avó de nove netos, e tem na educação uma de suas principais bandeiras. Em entrevista ao Em Tempo, a professora Maria do Carmo Seffair falou sobre os desafios da maternidade, das propostas de políticas públicas em apoio às mães amazonenses e de plano de governo, além do cenário da pré-campanha que pode levá-la ao título histórico de primeira mulher a governar o Amazonas.

EM TEMPO – O que motivou sua decisão de disputar o governo do Amazonas?

MARIA DO CARMO – O mesmo sentimento que tem feito, cada vez mais, os amazonenses quererem a mudança – o sentimento de indignação. O Amazonas é um Estado rico, tanto de recursos públicos quanto de riquezas naturais, mas o que temos visto são políticos enriquecendo, enquanto nosso povo continua refém da incompetência e da corrupção. A gente precisa, sim, se empoderar do processo político para fazer a mudança. Como tenho dito: depende de cada um de nós. E, pelo que temos visto, o povo está entendendo nossa mensagem, porque nossa pré-candidatura é a que mais cresce em todas as pesquisas, de um ano para cá. Aproveito para mandar um recado aos meus adversários: “O tempo em que se achavam ‘donos do interior’ já acabou, porque hoje as pessoas têm acesso às informações no celular, na palma da mão. E a velha política já não domina a narrativa e nem é a dona da verdade”.

ET – Como sua experiência como empresária influencia sua visão de gestão pública e de eficiência no governo?

MC – Na iniciativa privada é preciso trabalhar com planejamento, metas e não se pode gastar mais do que se ganha. Na administração pública também deveria ser assim. Obras precisam começar e terminar, projetos devem ter um objetivo a ser alcançado e os recursos públicos deveriam ser gastos com seriedade e transparência. Isso é gestão. É o que falta no Governo.

ET – Em um cenário político cada vez mais polarizado, como a senhora pretende conciliar suas convicções ideológicas com a necessidade de diálogo com diferentes forças políticas no Amazonas?

MC – Sou de direita porque acredito nos valores cristãos e cívicos, em um Estado mais enxuto e menos custoso ao contribuinte. E para mim é uma honra ter o apoio do nosso senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro; da nossa Executiva Nacional, por meio do presidente Valdemar da Costa Neto; além do próprio presidente Bolsonaro.

Mas, tenho dito que os problemas não têm lado. A falta de água potável no interior não é de esquerda e nem de direita. O problema do isolamento, falta de portos e estradas, também não são de direita ou esquerda. Nosso diálogo tem sido construído em cima de soluções e de um projeto de transformação para o Amazonas. Agora veja… a esquerda já teve sua oportunidade e há 30 anos nosso Estado só tem regredido na qualidade de vida. Não dá para esperar novas soluções de quem não fez e não vai fazer.

ET – Quais seriam suas prioridades imediatas nos primeiros meses de governo?

MC – Tudo é prioridade porque o Amazonas tem sido negligenciado em diversas áreas. Vamos atuar com frentes simultâneas na infraestrutura, principalmente do interior, na segurança pública, saúde e educação. Temos levantado algumas informações que já nos sinalizam que encontraremos um governo quebrado, mas temos feito nossos estudos de forma antecipada para definir projetos, recursos e toda as etapas de execução daquilo que queremos fazer já no primeiro ano de governo, como as subsedes nos municípios estratégicos, com hospitais de 100 leitos, estruturas de segurança pública, entre outras ações que estamos planejando para dar a resposta que a população espera e merece.

ET – O Amazonas ainda depende fortemente da Zona Franca de Manaus. Como diversificar a economia no estado?

MC – Investindo em quem trabalha. Esse é o papel do governo. Temos um projeto para diversificar nossa matriz econômica e fortalecer a Zona Franca de Manaus investindo no fortalecimento da agroindústria, com fomento e capacitação, contemplando ainda a infraestrutura logística para escoamento da produção. Nosso objetivo é tornar o Amazonas autossuficiente na produção de alimentos, o que paralelamente também irá gerar mais emprego e renda para os produtores rurais, fortalecendo as cadeias produtivas.

Outra vertente será o turismo, que é uma das nossas grandes potências e que está subaproveitada. Tenho visitado os municípios junto com a Tropa do PL, ouvindo as dores e mapeado as potencialidades de cada local.

ET – Segurança pública é um dos maiores desafios da região. Qual sua proposta para essa área?

MC – Formamos uma comissão de especialistas, daqui do Amazonas e de outros estados, que estão trabalhando em um projeto de enfrentamento ao crime organizado e que vamos apresentar no momento certo. É importante destacar que qualquer proposta passa, primeiramente, pela valorização dos policiais. Não existe segurança pública que funcione com profissionais desvalorizados, porque são eles que se arriscam todos os dias nas ruas na nobre missão de proteger a nossa sociedade.

ET – Como reduzir o isolamento logístico e melhorar a infraestrutura no interior?

MC –Tirando do papel e das promessas vazias a recuperação de estradas, ramais e vicinais, buscando as parcerias necessárias para restruturação de portos e aeroportos. A verdade é que essas são demandas antigas e do conhecimento dos governantes que aí já passaram. O que falta é vontade política e competência para fazer. E isso – vontade, coragem e competência – nós temos de sobra. Vamos mudar a régua da administração pública e mostrar o que é gestão de verdade.

ET – A senhora é mãe. De que forma a maternidade influencia suas decisões e sua forma de enxergar os desafios do Amazonas?

MC – Como toda mulher e toda mãe me acostumei a trabalhar muito e a fazer várias coisas ao mesmo tempo, porque é assim mesmo, temos que dar conta da casa, dos filhos, do marido, do trabalho…

Além disso, a mulher tem um olhar diferenciado sobre várias questões porque olha para os detalhes, tem mais cuidado. Tudo isso, sem dúvida alguma, pode fazer muita diferença na política e, por isso, também tenho usado a minha pré-candidatura ao governo para estimular que mais mulheres assumam o protagonismo político.

ET – Quais são as suas propostas em defesa das mães, especialmente as mais vulneráveis no Amazonas?

MC – A gente vai ampliar a atuação da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher para os municípios do interior e uma coisa que defendo sempre, como mulher de carreira jurídica, é que é preciso rigor no cumprimento das leis. Bandido e agressor de mulheres não terão facilidade. Além disso, todas as nossas ações terão as famílias e as mulheres como peças centrais porque quando digo que irei atuar no déficit de creches, que seria uma pauta municipal, é porque também estamos pensando nas mães que precisam de um ambiente seguro para os filhos enquanto trabalham. A mesma coisa quando falamos em ampliar significativamente a construção de casas populares. Isso são algumas de nossas metas, mas também iremos fortalecer as ações de capacitação e empreendedorismo feminino.

ET – Como a senhora percebe a influência da sua trajetória política dentro da sua família — especialmente em relação ao interesse dos seus filhos pela vida pública?

MC – Minha família, meu esposo e filhos têm a vida bem estrutura, todos seguem a veia do empreendedorismo, assim como eu. Fui movida para a política partidária pelo sentimento de que é preciso mudar, que não podemos mais assistir pacificamente o nosso Estado descer a ladeira, com políticos cada vez mais ricos e o povo cada vez mais pobre. Meu projeto não é de poder, penso em um mandato com reeleição apenas. Meu projeto é de realização e depois da nossa gestão, pode anotar, as pessoas vão pensar duas vezes antes de escolher um representante público.

ET – A política ainda é um espaço com baixa representação feminina. Como a senhora pretende incentivar mais mulheres a ingressarem na vida pública?

MC – Por onde passo, temos conversado com as mulheres sobre a força que todas temos e a capacidade para gerir, para organizar, para cuidar. Por isso, precisamos de mais e mais mulheres para fazer a diferença na política. Será uma grande alegria saber que nosso projeto pode servir de inspiração para outras mulheres também se empoderarem e ocuparem os espaços de decisões da nossa cidade, do Estado e do país.

ET –  Por que o eleitor amazonense deve confiar o seu voto à senhora?

MC – Pesquisas apontam que o amazonense quer mudança e não se pode mudar com os mesmos. Meus adversários tentam me atingir dizendo que não tenho experiência, mas digo: a experiência que eles têm eu não quero. O que de fato fizeram para melhorar vida dos amazonenses nos últimos 30 anos? Falta tudo, inclusive água potável no interior. É uma vergonha.

Venho para a política com uma vida bem resolvida, com vontade de fazer a mudança que o Amazonas precisa. Já contribuí muito ao nosso Estado na iniciativa privada, gerando emprego, transformando vidas com educação de qualidade, resgatando símbolos do nosso turismo e da nossa história, como o hotel Tropical e a Santa Casa de Misericórdia. Mas, a gente só consegue mudar de verdade por meio da política. Ela é a ferramenta capaz de mudar a vida das pessoas. É isso que quero fazer: deixar um legado de realização para o lugar que nasci, cresci e onde pretendo ficar até o final da minha vida.

Leia Mais:

Pré-candidata ao Governo do AM, Maria do Carmo destaca experiência em gestão