A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal deve votar, na quarta-feira, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A medida reduz a jornada semanal e amplia o período de descanso dos trabalhadores.

A proposta ganhou força após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reunir, na última semana, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O fim da escala 6×1 é uma das principais bandeiras defendidas pelo governo.

A aprovação na CCJ é necessária para que a proposta avance ao Plenário do Senado. Mesmo que seja aprovada e promulgada durante o esforço concentrado do Congresso, as mudanças previstas não entrarão em vigor imediatamente.

Quando a escala 6×1 pode acabar?

A PEC 221/2019 estabelece uma redução gradual da jornada máxima de trabalho, atualmente limitada a 44 horas semanais.

Pelo texto aprovado pela Câmara dos Deputados, 60 dias após a promulgação da emenda, a jornada máxima passaria para 42 horas semanais. Depois, a carga horária seria reduzida novamente para 40 horas.

A proposta também garante dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Relatório de Omar Aziz

A PEC já recebeu relatório favorável na CCJ do Senado. O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou voto pela aprovação do texto na quinta-feira (27).

O parlamentar também rejeitou as 12 emendas apresentadas por senadores e manteve a versão aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio.

A proposta altera a Constituição Federal para reduzir de 44 para 40 horas o limite máximo da jornada semanal e assegurar dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.

Mudanças serão graduais

O texto prevê que, dois meses após a promulgação da emenda constitucional, a jornada semanal máxima será reduzida para 42 horas.

Após 12 meses da promulgação, a carga horária passará para 40 horas semanais de forma definitiva.

A PEC também prevê exceções para trabalhadores submetidos a regimes diferenciados e estabelece regras específicas que poderão ser regulamentadas por lei.

Acordos coletivos

A proposta mantém a possibilidade de acordos e convenções coletivas para definir condições específicas de trabalho, inclusive para categorias submetidas a regimes diferenciados.

Nesses casos, uma lei poderá estabelecer regras próprias para a jornada e os dias de descanso.

Argumentos do relator

No relatório, Omar Aziz afirma que o limite de 44 horas semanais foi estabelecido pela Constituição Federal de 1988 e permanece sem alteração desde então.

Para o senador, a redução representa uma atualização das regras trabalhistas diante das mudanças na produtividade, na tecnologia e na organização do trabalho.

Aziz também defende que a ampliação do período de descanso pode contribuir para um maior equilíbrio entre trabalho, saúde e vida pessoal.

PEC é prioridade no Congresso

O fim da escala 6×1 está entre as prioridades definidas pelas presidências do Senado e da Câmara para os próximos dias.

Davi Alcolumbre se reuniu na quarta-feira (26) com Lula e Hugo Motta para definir as matérias que terão prioridade durante o esforço concentrado do Congresso.

A expectativa é que a PEC seja analisada pela CCJ e, caso avance, siga para votação no Plenário do Senado.

Redução da jornada em outros países

A proposta também segue uma tendência internacional de redução da jornada de trabalho. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda, desde 1962, a redução progressiva da jornada para 40 horas semanais, sem diminuição salarial.

Na América Latina, Chile, Colômbia e México adotaram medidas para reduzir gradualmente a carga horária.

No Chile, a jornada deve cair de 45 para 40 horas até 2028. Na Colômbia, a redução de 48 para 42 horas foi implementada de forma gradual. Já o México aprovou, em 2026, uma redução de 48 para 40 horas, com conclusão prevista para 2030.

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