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Nível do Rio Negro

Vazante? Nível do Rio Negro desce 58 centímetros nas últimas duas semanas

Em 14 dias, o nível da água diminuiu 56 centímetros. No entanto, especialista afirma que movimento é decorrência de natural variação

Manaus (AM) – Nas últimas duas semanas, o nível do Rio Negro tem diminuído e muitos consideram que o movimento pode ser o fenômeno da vazante.

Após a cheia histórica que atingiu o rio Negro na capital amazonense, em junho de 2021, causada pelo grande volume de chuva que caiu nas bacias do rio Negro e Solimões, houve uma reversão do quadro. Porém, especialista aponta que na verdade é apenas uma variação do nível rio.

Conforme a medição localizada no Porto de Manaus, a qual indica a variação no volume do rio, houve uma descida do rio Negro em uma velocidade média de 4,3 centímetros, durante os dias 19 de janeiro e 3º de fevereiro de 2022.

Por consequência, em 15 dias, o nível da água diminuiu 58 centímetros. No dia 19, a cota do rio era de 24,50 centímetros, já nesta quinta-feira (3), chegou a 23,92 centímetros.

Apesar desse período contínuo de descida do rio Negro em Manaus, o meteorologista Renato Senna afirma que ainda não pode ser identificado como uma vazante. Isso porque, o fenômeno ocorre após o período de cheia, no mês de junho. Assim, o momento atual é apenas uma flutuação do nível do rio e que futuramente volte a subir.

“O que está ocorrendo é uma variação do nível do rio, não uma vazante propriamente. A vazante, como é conhecida popularmente, ocorre depois do pico da cheia, em junho nos meses de setembro, outubro e até início de novembro, quando ocorre o pico da mínima. A expectativa é que o nível do rio Negro volte a subir nos próximos dias e continue seu curso normal por mais alguns meses, até junho normalmente”, explica o meteorologista.

Variação do nível do Rio Negro

Durante o processo de enchente do Rio Negro, que inicia no mês de novembro e se estende até o mês de junho do ano seguinte, ocorrem algumas flutuações do nível do rio do Porto de Manaus, seja de subida ou de descida. O meteorologista ressalta que essa variação não é muito comum. “Para citar apenas o mês de janeiro, situações similares ao ano 2022 ocorreram somente nos anos de 1986, 1990, 1992, 2002 e 2003”, diz Senna.

Conforme Senna, essa variação no nível do rio ocorre em razão da diminuição, ou no aumento, da precipitação de chuvas, nos últimos 90 dias, nos rios Marañon ou Ucayali, no Peru, ou o rio Caquetá, na Colômbia, que desaguam no rio Solimões e que influenciam o regime de cheias e vazantes do Rio Negro no Porto de Manaus.

O meteorologista também ressalta que outra região que influência a cota do Rio Negro é a região Oeste do Amazonas que registra chuvas abaixo do esperado para o mês de janeiro.

“Excessos ou déficit de precipitação ao longo de muitas semanas, em grandes áreas dos rios que formam o Negro e o Solimões e em áreas muito distantes podem ser percebidas nas medidas das cotas do Rio Negro aqui em nossa cidade”, diz o meteorologista. Nesse sentindo, de dezembro de 2021 a fevereiro de 2022 houve uma insuficiência de precipitação de chuvas nessa grande região. Assim o Rio Negro e seus afluentes não são abastecidos e ocorre essa variação com tendência a descida do nível do Rio Negro em Manaus.

Chuvas em Manaus

Apesar do período chuvoso que atinge a capital amazonense nas últimas semanas, o volume de chuvas que cai em Manaus tem pouca influência na magnitude dos rios na Amazônia, que são influenciados pelas chuvas que precipitam ao longo do ano nas bacias do Rio Negro e do Solimões.

“O que faz esse regime subir e descer do Rio Negro na realidade são essas chuvas que ocorrem nessa grande área que está rio acima do Rio Negro e do Rio Solimões, do Encontros das Águas para cima, desses grandes rios indo em direção a tabatinga ou indo em direção a Boa Vista, ou São Gabriel da Cachoeira. Então não é uma área muito pontual. O volume chuva que cai aqui em forma de pancada de uma hora ou de algumas horas não é capaz de influenciar na cheia do rio”, explica Renato Senna.

Dessa forma, segundo Renato Senna, por não impactarem os rios da Amazônia, as chuvas que caem em Manaus acabam não influenciado no volume do rio de outros municípios, como Itacoatiara e Parintins. Porém, as chuvas concentradas sobre a cidade podem causar grandes estragos, como enchentes e alagamentos em pequenos igarapés ou em locais com problemas na rede de esgoto pluvial.

“Os municípios não são afetados por chuvas ocorridas de forma localizada em Manaus. O processo de cheias ou vazantes nos grandes rios amazônicos dependem do comportamento das chuvas em grande parte das bacias hidrográficas não apenas de chuvas concentradas em áreas localizadas”, afirma.

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