Os Estados Unidos realizaram, neste sábado (3), a maior intervenção contra a América Latina em décadas ao atacar a Venezuela, bombardear a capital Caracas e capturar o ditador Nicolás Maduro e sua esposa. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que Maduro será levado aos EUA para julgamento por narcoterrorismo e crimes ligados ao tráfico de drogas.
A secretária de Justiça dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou que o ditador e sua esposa foram indiciados na Justiça de Nova York. Segundo ela, Maduro “foi acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os EUA”.
Bombardeios e estado de emergência
Mais cedo, o governo venezuelano afirmou ter sofrido uma “agressão militar” dos Estados Unidos após múltiplas explosões atingirem Caracas e outras regiões do país durante a madrugada. Diante da ofensiva, a Venezuela declarou estado de emergência.
De acordo com comunicado do regime, ataques também ocorreram nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, com mobilização das Forças Armadas.
Trump confirma operação e captura
“Os EUA realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e retirado do país de avião, juntamente com sua esposa”, escreveu Trump na rede Truth Social. O presidente afirmou que nenhum soldado americano morreu na ação e que poucos ficaram feridos.
Trump disse ainda que mais detalhes seriam apresentados em entrevista coletiva marcada para as 13h (horário de Brasília). O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, declarou que Maduro “finalmente enfrentará a justiça por seus crimes”.
Espaço aéreo interrompido
A FAA (Administração Federal de Aviação) alertou pilotos comerciais e privados dos EUA que o espaço aéreo sobre a Venezuela e a ilha de Curaçao estava interrompido “devido a riscos à segurança de voo associado à atividade militar em curso”.
Paradero desconhecido e exigência de prova de vida
O paradeiro de Maduro e de sua esposa segue desconhecido, segundo áudio da vice-presidente Delcy Rodríguez divulgado pela TV estatal venezuelana. “Exigimos uma prova imediata de vida de Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores”, disse ela. O procurador-geral Tarek William Saab também condenou os ataques e reiterou a exigência.
O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, afirmou em vídeo que o país vai resistir à presença de tropas estrangeiras. Ainda não está claro se houve invasão por terra.
Reação interna e denúncias de mortes
Segundo o The New York Times, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, pediu calma à população e afirmou: “Que ninguém se desespere. Que ninguém facilite as coisas para o inimigo invasor”. Ele também alegou, sem apresentar provas, que bombas atingiram construções civis.
Ainda conforme o jornal, o ataque deixou um número não especificado de mortos e feridos, segundo autoridades venezuelanas. O balanço de vítimas segue em avaliação.
Venezuela denuncia violação da ONU
Em comunicado, o chanceler Yvan Gil afirmou que a Venezuela “rejeita, repudia e denuncia perante a comunidade internacional a grave agressão militar” dos EUA contra áreas civis e militares de Caracas, Miranda, Aragua e La Guaira.
Segundo ele, trata-se de violação da Carta das Nações Unidas. “Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, particularmente na América Latina e no Caribe, e põe em grave risco a vida de milhões de pessoas.”
Gil também solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. “Diante da agressão cometida pelo governo dos EUA, solicitamos uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, responsável por fazer valer o Direito Internacional”, afirmou no Telegram.
Lula condena ofensiva
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os ataques ultrapassam uma linha “inaceitável” e disse que atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência.
Explosões e apagão em Caracas
Segundo testemunhas ouvidas pela Reuters e imagens que circulam nas redes sociais, explosões, aeronaves e colunas de fumaça preta foram vistas em diferentes pontos de Caracas a partir das 2h (6h de Brasília). Moradores relataram queda de energia na região sul da capital, próxima a uma importante base militar.
A escalada da tensão começou com o envio de navios de guerra e soldados ao mar do Caribe. Cerca de 30 embarcações teriam sido bombardeadas, com mais de cem mortes, segundo Caracas, que afirma que as manobras visam derrubar o regime venezuelano.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
Leia mais: Milei diverge da América Latina e apoia ataque dos EUA à Venezuela
Lula condena ataque dos EUA à Venezuela e captura de Nicolás Maduro
Vídeo mostra veículos carbonizados após ataque dos EUA na Venezuela
