O encerramento de um ano nunca é um simples virar de página no calendário. É, antes de tudo, um momento de avaliação profunda, de leitura honesta da própria caminhada e de reposicionamento diante do futuro.

Ao concluir 2025, somos desafiados a realizar uma prática muito comum na vida de militares, o ato de descingir: tirar de si próprio aquilo que cinge ou aperta; desatar, desapertar, desprender dos pesos acumulados ao longo do caminho. Para todos que um dia vivenciaram esta realidade, sabe que é necessário e há um alívio no corpo físico e no psicológico que nos proporciona relaxamento e alívio pela missão cumprida. 

No cotidiano da vida, todos nós precisamos descingir de um ano para o outro das expectativas frustradas, dos erros cometidos e até das conquistas que, se não forem bem administradas, podem se transformar em obstáculos. Descingir é um exercício de humildade e maturidade, essencial para quem compreende que liderança verdadeira começa no reconhecimento dos próprios limites.

O ano de 2025 foi marcado por intensos desafios, cobranças legítimas e decisões difíceis. Na vida pública, especialmente para quem carrega a responsabilidade de servir, não há espaço para ilusões. É preciso encarar a realidade como ela é, aprender com as batalhas travadas e agradecer pelas lições recebidas. A experiência ensina que a verdadeira força não está na negação das dificuldades, mas na capacidade de enfrentá-las com coragem, verdade e temor a Deus. Cada desafio superado — e também cada revés — contribui para a formação de uma liderança mais consciente, responsável e preparada.

Cingir-se para 2026, por sua vez, é assumir uma postura ativa diante do futuro. É apertar novamente o cinto da responsabilidade, da disciplina e do compromisso com a missão. Assim como faz um militar ao se preparar para um serviço destacado. Cada equipamento obrigatório é a garantia do sucesso na missão. 

A palavra de Deus orienta: “Cingi-vos todos de humildade” (1 Pedro 5:5). Essa exortação bíblica é especialmente atual no contexto político e social, em que o orgulho, a vaidade e o personalismo tantas vezes afastam o agente público do verdadeiro sentido do serviço. Humildade não é fraqueza; é consciência de que governar, legislar ou liderar é, antes de tudo, servir.

Entrar em 2026 com fé em Deus é reconhecer que nenhuma missão se sustenta apenas na força humana. A fé é o alicerce que dá equilíbrio nas horas de pressão, discernimento nas decisões complexas e perseverança quando o caminho se torna estreito. Trata-se de uma fé que não paralisa nem aliena, mas orienta e impulsiona à ação responsável, ética e comprometida com o bem comum.

O Foco na Missão se apresenta, assim, como um chamado permanente. Missão de proteger vidas, fortalecer a segurança pública, defender valores, promover o desenvolvimento responsável do Amazonas e honrar a confiança depositada pela população. Uma missão que não é individual, mas coletiva, e que exige coerência entre discurso e prática, presença constante e trabalho diário. Não há espaço para desvios quando o objetivo maior é servir ao povo com integridade.

Que a travessia para 2026 seja também um convite coletivo à reflexão. Que possamos, como sociedade, descingir-nos do ódio, da desesperança e da indiferença, e cingir-nos de união, responsabilidade e amor ao próximo. O futuro que desejamos começa com escolhas conscientes no presente. Seguir em frente, com Deus à frente, coragem no coração e foco absoluto na missão, não é apenas uma declaração de intenções, mas um compromisso moral com o tempo que se inicia.

Que possamos como sociedade descingir-nos do ódio, da desesperança e da indiferença e cingir-nos de união, responsabilidade e amor ao próximo. Que 2026 nos encontre mais fortes espiritualmente, mais maduros politicamente e mais comprometidos moralmente. Seguiremos em frente com Deus à frente, coragem no coração e foco absoluto na missão.

Dan Câmara é deputado estadual
Dan Câmara é Deputado Estadual, Presidente da Comissão de Segurança Pública, Justiça e Defesa Social na ALEAM, Presidente da Comissão de Justiça e Segurança Pública da UNALE, Cofundador da Força Nacional de Segurança, especialista em Planejamento Estratégico, Presidente de honra do Clube militar dos veteranos.

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