Quase uma semana após o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, ocorrido no último dia 3, Washington e Caracas iniciaram nesta sexta-feira (9) uma reaproximação diplomática, ainda que de forma limitada, e já avaliam a reabertura das embaixadas nos dois países.

O regime venezuelano, agora comandado por Delcy Rodríguez, anunciou em comunicado o início do que chamou de “processo exploratório de natureza diplomática” para retomar as relações com Washington, rompidas oficialmente em 2019 após décadas de turbulência.

Os Estados Unidos enviaram ao país sul-americano uma delegação liderada por John McNamara, encarregado de negócios americanos na Colômbia, com a missão de avaliar uma “possível volta gradual das operações diplomáticas”, segundo nota divulgada pelo governo americano.

O regime venezuelano confirmou a chegada da delegação a Caracas e informou que também enviará uma representação oficial a Washington como parte desse processo inicial de aproximação.

De acordo com o chanceler venezuelano, Yván Gil, o governo decidiu abrir um canal de diálogos preliminares para discutir o restabelecimento das representações diplomáticas. Ele ressaltou que, neste momento, as conversas têm caráter exploratório e visam avaliar as condições para uma retomada formal das relações bilaterais.

Histórico de ruptura diplomática

As movimentações sinalizam uma inflexão em uma relação marcada por tensões. Em 2019, Nicolás Maduro, capturado na incursão militar do último sábado, anunciou o fechamento da embaixada venezuelana em Washington após romper relações com o governo de Donald Trump, então em seu primeiro mandato, por reconhecer o opositor Juan Guaidó como presidente interino.

Washington reagiu de forma semelhante e fechou sua embaixada em Caracas, após não reconhecer a reeleição de Maduro em 2018. O segundo mandato, iniciado em 2024, também foi rejeitado e classificado como fraudulento, inclusive por observadores internacionais, aprofundando a crise diplomática.

Energia e petróleo entram na pauta

Com Delcy Rodríguez, vista pelos EUA como uma liderança capaz de conduzir um processo de estabilização econômica, os dois lados passaram a ensaiar a retomada das relações. Segundo funcionários do Departamento de Estado, os americanos realizam avaliações técnicas e logísticas como etapa inicial do diálogo.

De acordo com a agência AFP, a reaproximação inclui negociações para impulsionar a indústria petrolífera venezuelana, setor estratégico em um país que detém as maiores reservas de petróleo do mundo, mas enfrenta infraestrutura deteriorada.

Trump recebeu na Casa Branca dirigentes de multinacionais do setor, como a espanhola Repsol, para discutir investimentos de até US$ 100 bilhões. A produção atual gira em torno de 1 milhão de barris por dia, menos de um terço do volume registrado no auge. A Exxon, no entanto, afirmou que não prevê investir enquanto não houver um governo estável e um regime fiscal claro.

Captura de Maduro segue como tema sensível

O republicano declarou que Washington administrará a Venezuela até uma transição política e que o regime entregaria entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA. Já Delcy Rodríguez afirma que não há agente externo governando Caracas.

Maduro foi capturado em 3 de janeiro, durante uma incursão militar em Caracas, e levado com a esposa, Cilia Flores, para Nova York, onde responde a um processo por narcotráfico. Segundo Yván Gil, as “consequências derivadas da agressão e do sequestro” do ditador farão parte da agenda das conversas diplomáticas.

(*) Com informações da Folha de S.Paulo

Leia mais: Governo Lula deve oficializar reajuste de R$ 18 no piso dos professores em 2026