O acordo entre o Mercosul e a União Europeia irá reunir cerca de 720 milhões de pessoas e somará um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 22 trilhões, segundo informações dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

“Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela União Europeia com parceiros comerciais”, informaram as pastas.

O tratado, que se arrastava há 26 anos, foi destravado nesta sexta-feira (9), com a ratificação no Conselho Europeu, após a Itália abrir caminho para a formação de maioria. Para a aprovação, era necessário o apoio de ao menos 15 dos 27 países, representando 65% da população do bloco, critério que foi alcançado.

A assinatura oficial do acordo deve ocorrer no próximo dia 17 de janeiro, em Assunção, capital do Paraguai, país que assumiu a presidência rotativa do Mercosul no fim de 2025.

Comissão Europeia defende benefícios do acordo

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o acordo é benéfico para os “nossos cidadãos, para as nossas empresas e para todos os Estados-Membros”.

Em comunicado divulgado após a autorização do Conselho Europeu, a dirigente alemã declarou: “ouvimos as preocupações dos nossos agricultores e do nosso setor agrícola e agimos em conformidade”.

Próximos passos para entrada em vigor

Antes de ser formalmente concluído, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu, onde é exigida maioria simples dos votos. O tratado só entrará em vigor de forma integral após a ratificação por todos os Estados-Membros da União Europeia e pelos países do Mercosul.

Até lá, o regimento atual permanece válido.

Ratificado nesta sexta-feira, o acordo é o maior já firmado pela União Europeia e tem potencial para provocar uma das maiores reconfigurações do comércio agrícola global das últimas décadas.

Redução de tarifas entre os blocos

De acordo com o texto do tratado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% das exportações da União Europeia, incluindo automóveis, ao longo de um período de 15 anos. Já a União Europeia eliminará progressivamente tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul, em até dez anos.

A Comissão Europeia defende que o acordo reduz a dependência da China, especialmente no fornecimento de minerais críticos, como o lítio, essencial para a produção de baterias. O tratado garante a isenção de impostos de exportação para a maior parte desses materiais.

Impactos e benefícios para o Brasil

Além de ampliar o acesso a novos mercados, o acordo é visto como estratégico em um cenário no qual a China, principal destino da carne bovina brasileira, começa a impor limites ao ritmo das importações.

Para o Brasil, o tratado representa a oportunidade de expandir exportações com maior valor agregado, direcionadas a um mercado sofisticado e com maior previsibilidade institucional, fortalecendo a inserção do país no comércio internacional.

(*) Com informações da CNN Brasil

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