O mercado global de enzimas industriais, proteínas biológicas que aceleram reações químicas em processos como a produção de biocombustíveis, detergentes e alimentação animal, segue em forte expansão. Um levantamento citado pela Associação Brasileira de Recursos em Inovação (ABRE) mostra que esse mercado estava avaliado em cerca de US$ 7,9 bilhões em 2024 e projeta-se alcançar US$ 17,77 bilhões até 2035.

No Brasil, o segmento ainda é modesto em comparação ao cenário internacional, mas indicadores setoriais apontam crescimento constante: as receitas domésticas devem passar de algo em torno de US$ 169 milhões em 2024 para mais de US$ 235 milhões até 2030, segundo projeções de consultorias especializadas.

É nesse contexto de forte dependência de importações que surgem iniciativas locais como a Amazonzyme, startup de Manaus voltada ao desenvolvimento de soluções enzimáticas com base na biodiversidade amazônica.

A proposta da empresa é simples, mas poderosa: traduzir microrganismos nativos em enzimas microbianas adaptadas à realidade industrial brasileira, com performance superior às alternativas importadas e preços mais competitivos. “A ineficiência e o alto custo do uso de enzimas industriais importadas no Brasil sempre chamaram nossa atenção. Muitas indústrias utilizam enzimas que não toleram suas condições reais de operação, como temperatura e pH, o que gera desperdício e aumento significativo de custos”, diz Pamella Suely Santa Rosa Pimentel, bióloga e fundadora da Amazonzyme.

A empresa produz uma gama de biocatalisadores, como celulases, amilases, lipases e xilanasas, voltados a aplicações industriais e científicas. Além disso, a startup desenvolve enzimas de uso laboratorial em biologia molecular, como variantes de polimerases utilizadas em testes de diagnóstico e pesquisa.

Empresas dos setores de biocombustíveis, nutrição animal, limpeza industrial e laboratórios de biologia molecular estão entre as principais usuárias desses insumos. No chão de fábrica, enzimas otimizadas podem tornar mais eficiente a conversão de biomassa em etanol ou melhorar a digestibilidade de rações, elevando rendimento e agregando valor à cadeia produtiva.

“O que muda para a indústria é muito objetivo: maior eficiência catalítica, menos desperdício de matéria-prima, menor consumo de energia e redução do uso de insumos químicos nocivos ao meio ambiente”, resume Pamella, sintetizando o valor agregado das soluções desenvolvidas.

Um exemplo empírico da eficácia dessa abordagem foi observado em testes práticos: em um estudo realizado em ambiente de produção experimental, a utilização de enzimas amazônicas em rações substituindo parte do milho por xerém tratado enzimaticamente mostrou resultados promissores, mantendo a produção diária de ovos e melhorando indicadores de qualidade nutricional sem aumentar o custo da ração. A experiência também sinalizou ganhos econômicos relevantes para os produtores.

Segundo a fundadora, o modelo de negócio combina produtos padronizados com soluções customizadas, adaptadas às necessidades específicas de cada cliente, e caminha para ampliar sua atuação no mercado nacional.

Por que os shoppings seguem atraindo capital mesmo com o varejo digital

Enquanto parte do varejo ainda se ajusta às transformações do consumo digital, os shoppings centers continuam demonstrando vitalidade, especialmente quando investem em experiência, serviços e gastronomia. A recente ampliação das opções no Millennium Shopping, em Manaus, confirma essa tendência: menos foco em lojas tradicionais e mais atenção ao tempo de permanência do público e à diversidade de ofertas.

No início de 2026, o empreendimento abriu a Crepefy, especializada em crepes doces e salgados, ampliando o mix de alimentação. Para o fim de janeiro está prevista a inauguração da cafeteria Don Solaro, com foco em cafés e chás especiais e um ambiente pensado para encontros, trabalho e pausas ao longo do dia. E a movimentação segue: em fevereiro chega a SOS dos Óculos, loja de serviços ópticos que atende manutenção, consertos e venda de acessórios para óculos, reforçando o setor de conveniência.

Esse reposicionamento, mais serviços, mais gastronomia, mais conveniência, não é isolado. Dados do setor indicam que os shoppings brasileiros fecharam 2025 com faturamento acima de R$ 190 bilhões, recuperando e, em alguns mercados, superando níveis pré-pandemia, e com expectativa de crescimento moderado entre 3% e 5% em 2026, impulsionado pelos segmentos menos substituíveis pelo comércio eletrônico, como alimentação, lazer e serviços. O modelo de shopping que vende tempo, conveniência e experiência tem atraído investidores justamente por essa resiliência frente às varejo digitalizado.

Oculum chega a Manaus em parceria com a Avenida e reforça plano de expansão

Manaus passa a integrar, a partir da próxima quarta-feira (11/2), o mapa de expansão da Oculum. A rede de óticas premium, com mais de 27 anos de atuação no mercado brasileiro, inaugura sua primeira unidade no Amazonas em parceria com a Avenida. A operação será instalada no Manauara Shopping e terá abertura oficial em evento para convidados.

A chegada à capital amazonense faz parte da estratégia de crescimento da marca, que vem ampliando sua presença nacional por meio do modelo de franquias e da consolidação em capitais e polos regionais estratégicos. O movimento sinaliza a aposta da empresa no potencial de consumo do Norte do país, especialmente em segmentos ligados a produtos de maior valor agregado.

Fundada no Recife, a Oculum encerrou 2025 com mais de 46 unidades distribuídas em 17 estados e 23 cidades brasileiras. Desde a adoção do modelo de franquias, a rede tem acelerado seu plano de expansão, combinando posicionamento premium, curadoria de grifes internacionais e foco em experiência de atendimento.

A entrada em Manaus reforça a interiorização e regionalização da estratégia da marca, que busca ampliar capilaridade sem perder o perfil de público voltado ao consumo qualificado.

Mercado pet deve superar R$ 80 bi em 2026, mas enfrenta pressão tributária

O mercado pet brasileiro deve ultrapassar R$ 80 bilhões em 2026, com crescimento estimado entre 4% e 5% ao ano, em ritmo mais moderado do que o observado nos últimos anos. O segmento de pet food segue como principal fonte de receita, mas enfrenta pressão da alta carga tributária sobre as rações e incertezas ligadas à reforma tributária.

Pequenos e médios lojistas sentem o impacto dos impostos, insumos e custos logísticos, enquanto o consumidor mantém o interesse pelo bem-estar animal, porém mais atento ao custo-benefício. Para sustentar o avanço, o setor aposta em eficiência, digitalização e expansão de categorias como nutrição funcional, serviços veterinários e produtos sustentáveis.

RÁPIDAS & BOAS

Na quarta-feira (11/2), das 14h às 20h, o Sindicato Das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Amazonas (SINDPAM), realizará o segundo ‘Encontro Premium de Negócios Fornecedor’, no Clube do Trabalhador do Amazonas (SESI Clube). Empresários interessados em participar podem se inscrever pelo link (https://forms.gle/icTx2qYq8yceEYsd7).

A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) realiza na quarta-feira (11/2) o lançamento oficial da 33ª edição do Prêmio Qualidade Amazonas (PQA), uma das mais tradicionais e relevantes iniciativas de reconhecimento às boas práticas de gestão, produtividade e competitividade da Região Norte. O evento ocorrerá às 15h, no Auditório Auton Furtado, bairro Centro, na Zona Sul de Manaus. Informações: (92) 3186-6640 | (92) 3186-6642 | (92) 99322-6484.

Cristina Monte

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