Um relatório recente do Comitê Seleto da Câmara dos Representantes dos EUA alega que a China estabeleceu uma rede de infraestrutura espacial em toda a América Latina. Segundo o documento, o objetivo seria vigiar adversários e potencialmente reforçar capacidades militares no futuro.
O relatório cita casos no Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia e Chile. Procurados pela CNN, os envolvidos negaram as alegações.
“China quer minar presença dos EUA no espaço”, disse o deputado republicano John Moolenaar, presidente do comitê, em comunicado à imprensa.
Relatório detalha instalações na região
Intitulado “Atraindo a América Latina para a órbita da China”, o documento afirma que Pequim construiu uma “extensa rede de estações terrestres espaciais e telescópios” de uso civil e militar. O objetivo seria coletar informações sobre adversários e fortalecer o Exército de Libertação Popular (PLA).
O comitê identificou pelo menos 11 instalações na América Latina ligadas à China. “Essas instalações não são projetos científicos isolados. Elas formam uma rede integrada de dupla utilização, fortalecendo a capacidade da China de monitorar, controlar e potencialmente interromper operações espaciais e militares de adversários”, afirma o relatório.
Brasil tem duas instalações citadas
Estação Terrestre Tucano na Bahia
O relatório indica que a Estação Terrestre Tucano seria uma joint venture entre a startup brasileira Alya Nanosatellites e a chinesa Beijing Tianlian Space Technology. O documento cita suposto memorando de entendimento com a Força Aérea Brasileira (FAB) para treinamento e uso de antenas como backup.
Em comunicado, a FAB esclareceu que houve um Memorando de Entendimento entre 2020 e 2022 com a empresa Alya para calibração radiométrica de sensores ópticos, mas que não houve renovação nem parceria militar.
A CEO da Alya Space, Aila Raquel, reforçou: “O MOU não evoluiu para contrato definitivo, não deu origem a joint venture nem operação comercial. A estação estará sob controle exclusivo da Alya Space após licenciamento da Anatel”.
Laboratório China-Brasil na Paraíba
O segundo caso apontado é o Laboratório Conjunto China-Brasil para Radioastronomia e Tecnologia, na Serra do Urubu, Sertão da Paraíba. O comitê alega que o laboratório poderia ter aplicações de uso duplo para vigilância e rastreamento militar.
A UFPB esclareceu que o acordo com instituições chinesas ainda está em fase inicial, sem projetos formalizados. A cooperação é científica, com foco em energia limpa, inteligência artificial, biotecnologia, agricultura inteligente e pesquisa espacial civil.
Recomendações do comitê americano
O relatório sugere que a NASA revise cooperação espacial com países que hospedam infraestrutura ligada à China. Também recomenda que o Congresso atualize a “Emenda Wolf”, que proíbe verbas federais para cooperação bilateral direta com a China.
“O governo dos EUA deve interromper a expansão da infraestrutura espacial chinesa na América Latina e buscar eliminar capacidades que representem ameaça aos interesses americanos”, conclui o documento.
A CNN entrou em contato com o Itamaraty e o Ministério da Defesa e aguarda retorno.
(*) Com informações da CNN Brasil
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