O Amazonas registrou 265 casos de importunação sexual nos anos de 2024 e 2025, segundo dados consolidados do painel de estatísticas da Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). Os números oficiais indicam crescimento dos registros no período.

Casos de importunação sexual registrados no Amazonas (dados oficiais):

• 2024: 126 casos de importunação sexual, sendo 81 em Manaus.
• 2025: 139 casos de importunação sexual, com 107 registros na capital.

O que é importunação sexual

A importunação sexual é crime tipificado no Brasil desde 2018, por meio do artigo 215-A do Código Penal. A conduta é definida como a prática de ato libidinoso contra alguém, sem o seu consentimento, com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiros. A pena prevista é de 1 a 5 anos de reclusão.

Entre os exemplos de importunação sexual estão beijos forçados, toques sem consentimento e masturbação em locais públicos.

Crescimento dos casos no Brasil

O cenário estadual acompanha uma tendência nacional. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 37.972 ocorrências de importunação sexual em 2024, o que corresponde a uma taxa de 17,9 casos por 100 mil habitantes – um aumento de 4,7% em relação a 2023.

Outro levantamento, com base em dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), aponta que, em 2025, o país teve uma média de 54 novos processos por importunação sexual por dia, totalizando 19.835 ações judiciais ao longo do ano.

Já nas dez maiores capitais brasileiras, 75% das mulheres afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio sexual. A situação é mais crítica em Porto Alegre, com 79%, seguida por Rio de Janeiro e Recife, ambas com 77%. Belo Horizonte e Fortaleza registraram o menor percentual, de 68%. Os dados são da pesquisa Mulheres 2025, realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis.

abuso

Especialistas em segurança pública e direitos humanos alertam, no entanto, que esses números refletem apenas os casos formalmente registrados ou judicializados. Muitos episódios não chegam às autoridades por motivos como medo, vergonha ou descrença na resposta institucional.

Repercussão nacional no BBB

O tema voltou ao centro do debate público após um episódio de grande repercussão no BBB 26. O caso ocorreu em 18 de janeiro, quando o participante Pedro Henrique tentou beijar Jordana Moraes sem consentimento, dentro da despensa da casa. O fato ganhou destaque nacional e ampliou a discussão sobre limites, respeito e consentimento, especialmente entre jovens e nas redes sociais.

Impacto nas vítimas

Dados do Ipea indicam que a importunação sexual pode causar danos psicológicos duradouros, como ansiedade, medo, retraimento social, queda da autoestima e transtorno de estresse pós-traumático.
Esse impacto é relatado por Auxiliadora, 30 anos, que sofreu importunação sexual aos 17, durante sua primeira experiência profissional como caixa de supermercado. Segundo ela, o autor era seu supervisor, que inicialmente conquistou sua confiança, mas passou a adotar comportamentos inadequados.

“Na época, eu não sabia que estava sofrendo um tipo de violência”, afirmou. Auxiliadora relata que sofreu tentativa de beijo forçado, perseguição no ambiente de trabalho e abordagens físicas sem consentimento. Com medo de não ser acreditada, optou por pedir demissão sem denunciar o caso.

As consequências, segundo ela, se estenderam ao longo dos anos. “Ficou o trauma. Situações parecidas ainda funcionam como gatilho”, relatou. Hoje, com mais informação, Auxiliadora defende a denúncia e reforça que a importunação sexual pode ocorrer em diversos ambientes, como no trabalho, na rua, em escolas e universidades.

Em entrevista à CNN Brasil, o neurocirurgião Fernando Gomes destacou que a psicoterapia é fundamental em casos de abuso. “Pode gerar trauma psicológico, podendo levar a um estresse pós-traumático que requer tratamento psicoterápico e medicamentoso”, afirmou.

Canais de denúncias

A denúncia é fundamental nos casos de importunação sexual. As vítimas podem procurar delegacias, preferencialmente as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), além de utilizar canais como o Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou o 190 (Polícia Militar). As denúncias podem ser feitas, inclusive, de forma anônima.