A poucas horas do fim do ultimato que havia dado para o Irã reabrir o estreito de Hormuz, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou. Nesta segunda-feira (23), ele anunciou o adiamento, por cinco dias, dos ataques à infraestrutura energética iraniana, prometidos caso o país persa se recusasse a atender suas demandas.
Com o anúncio, o preço do barril de petróleo, que na semana passada chegou próximo de US$ 120, caiu para cerca de US$ 100, mesmo sem confirmação de Teerã.
Divergências sobre negociações
Trump afirmou que seu governo mantém diálogo com autoridades iranianas, informação negada pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã. A chancelaria persa afirmou que ouviu propostas de terceiros, mas que só negociará diretamente com os Estados Unidos e sob seus próprios termos: cessão de hostilidades e manutenção da soberania.
O presidente americano declarou ainda que não teve contato com o líder supremo Mojtaba Khamenei, que assumiu após a morte do pai, Ali, no início do conflito iniciado pelos EUA e Israel há três semanas. “Eu não sei dele. Eu não o considero como líder”, disse Trump.
Acordo nuclear e condições de Trump
Trump citou um acordo de 15 pontos em discussão, incluindo a renúncia do Irã ao desenvolvimento de armas nucleares — compromisso já sinalizado pelo país. Ele também insiste no abandono total do programa nuclear, condição rejeitada por Teerã.
A agência iraniana Mehr afirmou que Trump busca apenas ganhar tempo para sua campanha militar e reduzir a pressão no mercado de petróleo. Ainda assim, existem “iniciativas para reduzir a tensão”, mas Teerã aceita propostas apenas diretamente dos EUA.
Encontros e tentativas de mediação
Até o momento, quem manteve contato com o Irã foram os negociadores Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump. Agora, o presidente deve se envolver pessoalmente. Autoridades israelenses indicaram que um encontro de enviados pode ocorrer no Paquistão.
“Estamos fazendo esse período de cinco dias, vamos ver o que acontece. Se for tudo bem, podemos acabar resolvendo isso”, disse Trump, que também mencionou desejar “algum tipo de mudança de regime” semelhante à Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro.
Tensão e reação iraniana
O recuo de Trump é visto pela estatal Press TV como resposta à decisão de Teerã de retaliar duramente caso fosse atacado. No sábado (21), ele havia ameaçado bombardear usinas de energia iranianas a partir do fim do prazo, às 20h13, horário de Brasília, caso o estreito de Hormuz não fosse reaberto.
O estreito é estratégico, responsável por cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
Conflito e impacto no mercado
Apesar das negociações, Israel mantém bombardeios contra Teerã, que deixaram partes da capital sem eletricidade nesta segunda-feira. O Irã ameaçou retaliar, considerando alvos toda infraestrutura energética de Israel e áreas próximas a bases americanas. O estreito de Hormuz pode ser fechado e o golfo Pérsico minado.
O barril do petróleo tipo Brent, que chegou a quase US$ 120, fechou a semana passada em US$ 112. Nesta segunda, chegou a US$ 116, despencou para US$ 98 após o anúncio de Trump e depois estabilizou-se em torno de US$ 100. Bolsas asiáticas fecharam em queda, refletindo o receio de escalada do conflito.
Pressão militar e movimentação de tropas
Antes do ultimato, o governo americano já sinalizava ações contraditórias. No domingo (22), o secretário do Tesouro Scott Bessent afirmou que poderia ser necessário intensificar a ofensiva antes de reduzir a tensão e sugeriu ação terrestre contra a ilha de Kharg, principal centro exportador de petróleo do Irã. Atualmente, cerca de 5.000 fuzileiros americanos se deslocam para o Oriente Médio.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
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