A endometriose, principal causa de dor pélvica crônica em mulheres em idade reprodutiva, é tema da campanha “Março Amarelo”, que busca ampliar a conscientização sobre a doença.

Caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, a condição afeta mais de sete milhões de brasileiras, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, pode ser influenciada por outro fator relevante: a obesidade.

Relação entre inflamação e hormônios agrava sintomas

A médica ginecologista e obstetra Aline Frota explica que o excesso de gordura corporal aumenta processos inflamatórios no organismo. Dessa forma, há impacto direto na intensidade dos sintomas da endometriose.

“Há uma forte conexão entre as duas condições. Isso porque a endometriose é uma doença inflamatória crônica, que ainda por cima é altamente dependente de estrogênio, enquanto a obesidade é um processo inflamatório que induz elevações nos níveis desse hormônio. E qual o problema disso? O ambiente se torna ainda mais propício para o crescimento das lesões endometrióticas”, observa a especialista.

Além disso, o tecido semelhante ao endométrio, presente em outras regiões do corpo, responde aos hormônios do ciclo menstrual. Como resultado, pode provocar cólicas intensas, cansaço extremo e infertilidade.

Excesso de gordura pode dificultar o tratamento

Segundo a especialista, o acúmulo de gordura corporal contribui para o aumento da inflamação sistêmica. Por isso, os sintomas tendem a se intensificar.

“Isso não quer dizer que toda mulher com obesidade vai desenvolver a condição ginecológica. Contudo, vários estudos deixam evidentes que o acúmulo de gordura corporal agrava os sintomas e dificulta o tratamento. Nesse cenário, cuidar do peso corporal é parte fundamental do controle da endometriose”, pontua.

Diagnóstico pode levar anos

A médica destaca que campanhas como o “Março Amarelo” ajudam a ampliar o acesso à informação. Muitas vezes, a doença é confundida com outros problemas ginecológicos.

Segundo ela, o diagnóstico pode levar de sete a dez anos para ser confirmado. Portanto, a conscientização é essencial para reduzir esse tempo.

Tratamento exige abordagem multidisciplinar

Aline Frota afirma que o tratamento da endometriose deve considerar diferentes aspectos da saúde da paciente.

“Precisamos estar atentos ao corpo como um todo, observando desde o estado hormonal aos hábitos das pacientes. Se a doença não estiver em estágio avançado, quando somente a cirurgia é recomendada, o tratamento envolve medicamentos, suplementos, alimentação anti-inflamatória, fisioterapia pélvica, psicoterapia e o famoso exercício físico”, afirma.

Além disso, ela ressalta que apenas o uso de anticoncepcionais não resolve todos os casos.

“Vai ter que praticar atividades físicas, tomar medicações específicas, beber água na quantidade correta, ter um sono regulado. É fundamental procurar sempre um ginecologista atualizado, que entenda a condição e ofereça um tratamento individualizado”, conclui.

*Com informações da assessoria

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