Nos últimos anos, o aumento dos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) ampliou o debate sobre a importância da identificação precoce no desenvolvimento infantil. Nesse contexto, especialistas reforçam que observar comportamentos nos primeiros anos de vida ajuda as famílias a buscar avaliação profissional mais cedo.
De acordo com a terapeuta ocupacional Carla Andrade Teixeira, especialista em desenvolvimento infantil e idealizadora da Clínica Vagalume Terapias Integradas, em Manaus, alguns sinais indicam a necessidade de uma avaliação mais detalhada.
“Cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento, mas quando percebemos dificuldades persistentes na comunicação, na interação social ou na participação em brincadeiras, é importante buscar orientação profissional”, explica.
Sinais que merecem atenção nos primeiros anos
Entre os principais sinais de alerta, a especialista destaca o pouco contato visual e o atraso no desenvolvimento da fala. Além disso, a dificuldade em responder quando chamado pelo nome também merece atenção.
Outros comportamentos incluem pouco interesse em interagir com outras crianças, brincadeiras repetitivas ou pouco variadas e sensibilidade intensa a sons, luzes ou texturas. Da mesma forma, a dificuldade em lidar com mudanças na rotina pode indicar desafios no desenvolvimento.
Segundo Carla Teixeira, muitos desses sinais se relacionam ao processamento sensorial e à forma como o cérebro organiza as informações do ambiente.
Intervenção precoce amplia oportunidades de desenvolvimento
Quando profissionais identificam esses sinais precocemente, as intervenções terapêuticas podem favorecer o aprendizado e ampliar a participação da criança nas atividades do dia a dia.
Nesse sentido, a Terapia Ocupacional atua diretamente no desenvolvimento de habilidades fundamentais. Entre elas, estão a autonomia nas atividades diárias, a organização do comportamento, a participação em brincadeiras e a regulação sensorial.
“Quanto mais cedo iniciamos a intervenção, maiores são as oportunidades de desenvolvimento para a criança. O objetivo não é apenas trabalhar habilidades específicas, mas favorecer a participação da criança em todos os contextos da sua vida”, destaca Carla Teixeira.
Formação e atuação profissional

Carla Teixeira é especialista em Neurociência e Comportamento pela FAMESP e possui certificação internacional em Integração Sensorial de Ayres pela University of Southern California (USC), instituição reconhecida mundialmente na área.
Além disso, ela é idealizadora da Clínica Vagalume Terapias Integradas, ao lado da fonoaudióloga Marcela Lima. No espaço, atua com avaliação e intervenção em crianças com desafios do neurodesenvolvimento.
Paralelamente à prática clínica, a profissional realiza palestras, cursos e formações voltadas a pais, educadores e profissionais da saúde, com foco em desenvolvimento infantil, autismo e integração sensorial.
Por fim, a especialista reforça o papel da informação no cuidado com o desenvolvimento infantil.
“O acesso à informação é essencial para que as famílias consigam reconhecer sinais precoces e buscar apoio especializado. Quanto mais preparados estivermos como sociedade, melhores serão as oportunidades de desenvolvimento para essas crianças”, conclui.
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