O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou o ultimato para que o Irã reabra o estreito de Hormuz em 48 horas. Caso contrário, diz o americano, “todo o inferno” cairá sobre o país persa.
“Lembre-se de quando eu dei ao Irã dez dias para fazer um acordo ou abrir o estreito de Hormuz. O tempo está se esgotando —faltam 48 horas antes que todo o inferno se abata sobre eles”, escreveu Trump nas redes sociais, recordando o ultimato mais recente que impôs ao inimigo.
Estreito de Hormuz segue sob tensão
A via marítima, considerada a principal rota de navios-tanque de petróleo do mundo, permanece bloqueada por Teerã desde o início da guerra envolvendo os Estados Unidos e Israel.
No entanto, a República Islâmica autorizou a passagem de embarcações que transportam bens essenciais. Segundo a agência estatal Tasnim, os navios devem coordenar a travessia com as autoridades e seguir protocolos definidos.
Ainda assim, a medida não representa uma reabertura total, mas apenas uma flexibilização pontual.
Pressão internacional e impacto no petróleo
Enquanto isso, o Conselho de Segurança da ONU avalia votar uma resolução proposta pelo Bahrein para permitir o uso da força na proteção da navegação comercial na região.
O bloqueio do estreito já elevou os preços do petróleo no mercado global. Por isso, diversos países passaram a se mobilizar para tentar reabrir a rota estratégica.
Ataques ampliam conflito
Além disso, a mídia estatal informou que o Irã atacou uma embarcação ligada a Israel no estreito de Hormuz neste sábado, incendiando o navio. Até o momento, Tel Aviv não comentou o incidente.
Horas antes do ultimato de Trump, um bombardeio perto da usina nuclear de Bushehr matou um funcionário e forçou a Rússia a evacuar 198 trabalhadores do local, o que elevou ainda mais as tensões no Oriente Médio.
Reação internacional e risco nuclear
A chancelaria russa e a Agência Internacional de Energia Atômica condenaram o ataque. Apesar disso, a agência Tasnim informou que o bombardeio não atingiu as partes principais da usina.
“Não houve aumento nos níveis de radiação”, afirmou a agência da ONU.
Ainda assim, um funcionário morreu após ser atingido por fragmentos de projéteis, e outras cinco pessoas ficaram feridas.
Diante do risco, a estatal nuclear Rosatom iniciou a evacuação de trabalhadores. O diretor-geral da empresa, Alexei Likhachov, afirmou que a situação segue crítica.
“A probabilidade de risco de danos ou de um possível incidente nuclear, infelizmente, não para de aumentar, como confirmaram os acontecimentos desta manhã”, disse.
Críticas e escalada militar
Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, criticou a postura da comunidade internacional.
“Lembram da indignação ocidental sobre hostilidades perto da usina nuclear de Zaporíjia na Ucrânia? Israel e EUA já bombardearam nossa usina de Bushehr quatro vezes. Uma contaminação radioativa acabará com a vida nas capitais do Golfo, não em Teerã”, escreveu o chanceler em um post na rede X.
Além disso, ataques também atingiram um centro petroquímico, uma fábrica de cimento e um terminal comercial na fronteira entre Irã e Iraque. O Exército israelense afirmou ter realizado “uma onda de ataques” contra Teerã.
Impactos civis e educacionais
O ministro da Ciência do Irã, Hosein Simai Sarra, visitou a Universidade Shahid Beheshti, alvo de ataque recente. Segundo ele, ao menos 30 instituições de ensino superior foram atingidas desde o início do conflito.
“Eles pertencem à Idade da Pedra por atacarem instituições científicas. Um país civilizado, um governo civilizado, jamais tem como alvo instituições de conhecimento, laboratórios ou centros de pesquisa”, afirmou o ministro.
Reflexos na região
Por fim, a escalada militar também provocou impactos em outros países do Golfo. No Bahrein, destroços de drones deixaram quatro feridos. Já em Dubai, dois edifícios foram danificados, incluindo o da empresa americana Oracle.
Dessa forma, o conflito amplia riscos globais e mantém o mercado e a comunidade internacional em alerta.
(*) Com infomações da Folha de S.Paulo
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