A Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), desenvolve um projeto sobre plantas medicinais. A iniciativa vai gerar uma cartilha com orientações de uso seguro, voltada à comunidade local.

“A proposta é fortalecer o diálogo entre ciência e tradição, ampliando o acesso à informação e incentivando práticas seguras no uso de plantas medicinais da região amazônica”, destaca Soraia Tatikawa, diretora geral da Afya.

Estudo e catalogação das espécies

O projeto “Etnobotânico de Plantas Medicinais da região de Itacoatiara” é coordenado pela professora Francenilda Gualberto. Estudantes de Medicina e pesquisadores realizam a coleta, identificação e análise das espécies usadas pelas comunidades locais.

O objetivo é catalogar as plantas e analisar suas propriedades químicas e biológicas, combinando conhecimento tradicional com evidência científica. “O projeto parte da escuta das comunidades e do conhecimento tradicional para, a partir disso, realizar a identificação das espécies e a análise de suas propriedades com base na literatura científica”, explica a professora.

Cartilha e divulgação

A cartilha apresentará as principais plantas medicinais identificadas, com orientações sobre preparo, indicações e uso seguro. A previsão é que o material seja concluído até junho, após o depósito das espécies em herbário.

Depois, o conteúdo será compartilhado online, por meio de grupos de WhatsApp de moradores e redes sociais institucionais.

Benefícios e cuidados

Foto: Divulgação

Segundo Francenilda Gualberto, as plantas oferecem benefícios como ação antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana. Algumas espécies também ajudam na digestão, têm efeito calmante e auxiliam na hidratação.

No entanto, a professora alerta: “Enquanto o uso no dia a dia está associado ao hábito cultural, o uso medicinal possui finalidade terapêutica e exige cuidados específicos quanto à dose, preparo e tempo de uso”.

Ela reforça que o consumo inadequado pode causar irritações gástricas, sobrecarga hepática e reações alérgicas. Gestantes e pessoas com doenças crônicas devem redobrar a atenção.

Integração entre saber popular e ciência

“Hoje, existe um reconhecimento crescente da importância de integrar o saber popular com a validação científica, garantindo segurança e eficácia no uso das plantas medicinais”, ressalta Francenilda.

Na região amazônica, algumas espécies já possuem respaldo científico, como:

  • Anador (Justicia pectoralis) – ação analgésica e anti-inflamatória
  • Boldo chinês (Plectranthus barbatus) – auxilia na digestão
  • Capim-santo (Cymbopogon citratus) – efeito calmante e antioxidante

Outras plantas de destaque incluem hortelã grande, hortelãzinho, mangarataia, pitanga, pobre-velho e saratudo, todas associadas a efeitos terapêuticos tradicionais.

Formação de futuros profissionais de saúde

O projeto também envolve estudantes de Medicina, oferecendo experiência prática em pesquisa e extensão. Dessa forma, eles aprendem a valorizar o conhecimento local e a atuar na atenção integral à saúde da população.

Além disso, a Afya contribui para a formação de médicos capacitados a prevenir, diagnosticar e cuidar de condições que impactam a qualidade de vida na Amazônia.

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