A TV Globo anunciou, nesta terça-feira (7), que o narrador esportivo Luís Roberto, 64, será afastado da cobertura da Copa do Mundo de 2026. O motivo é o diagnóstico de neoplasia na região cervical, identificado em exames de rotina. Segundo a emissora, a condição está em fase final de avaliação para definir o tratamento mais adequado.
Entenda a neoplasia cervical
A neoplasia é caracterizada pelo crescimento anormal de células, podendo ser benigna ou maligna. No caso cervical, afeta regiões como pescoço, tireoide, linfonodos, cavidade oral, laringe e faringe.
“A neoplasia da região cervical se refere especificamente ao pescoço. Porém, a gente não deve se confundir com o termo câncer cervical do colo de útero, porque isso vem de uma nomenclatura chamada cérvix uterino ou colo do útero, o que pode gerar esse entendimento errado”, explica Cheng Tzu Yen, oncologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
O vice-líder do Centro de Referência em Tumores de Cabeça e Pescoço do A.C. Camargo Cancer Center, Thiago Bueno, detalha: “Quando o crescimento dessas células causa risco para o paciente pela capacidade que as células malignas têm de se espalhar, a neoplasia é maligna. Já quando o crescimento é limitado, é considerada benigna”.
Sintomas que podem indicar neoplasia
O principal sinal de alerta é um caroço no pescoço, palpável e persistente por mais de 15 dias. Em casos malignos, sintomas podem incluir feridas ou aftas que não cicatrizam, rouquidão persistente, dor ao engolir, alterações na base da língua ou amígdalas e sangramentos pela boca.
“Em estágio inicial, geralmente é assintomático ou apresenta poucos sinais. No entanto, pacientes devem ficar atentos a rouquidão, mudança de timbre da voz, engasgos persistentes, dificuldade respiratória sem relação pulmonar e perda de peso não intencional”, alerta Yen.
Diagnóstico e detecção precoce
Para identificar a neoplasia, médicos utilizam exames de imagem, como ultrassom, tomografia ou ressonância magnética. No entanto, não há programas de rastreamento específicos, como ocorre com câncer de mama ou próstata.
“A conscientização sobre sintomas e sinais suspeitos é essencial. Quando necessário, realizamos biópsia para diferenciar neoplasias benignas de malignas”, explica Bueno. O especialista reforça a importância de visitas regulares ao dentista e acompanhamento por profissionais de cabeça e pescoço.
Fatores de risco
Entre os fatores que aumentam a probabilidade de neoplasia maligna estão consumo excessivo de álcool, tabagismo, infecção pelo HPV e higiene oral precária.
“É possível prevenir tumores nessa região evitando álcool, cigarro e vacinando-se contra HPV”, orienta Bueno.
Tratamento
O tratamento depende do tipo de neoplasia, da região afetada e da presença de metástase. Yen explica que casos malignos podem envolver radioterapia, quimioterapia, cirurgia ou imunoterapia. Já neoplasias benignas normalmente requerem apenas observação.
“Quando o diagnóstico é precoce, a chance de cura é alta”, completa Bueno.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
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