Estados Unidos e Irã estão cada vez mais próximos de firmar um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio. A informação foi divulgada por um alto funcionário do governo do Paquistão, que atua como mediador nas negociações entre os dois países.
Além disso, segundo o mediador, Washington e Teerã discutem um memorando de uma página que busca encerrar a guerra e, ao mesmo tempo, reduzir as tensões no estreito de Hormuz. Ele confirmou à agência Reuters informações publicadas pelo site Axios e afirmou que as conversas devem ser concluídas “muito em breve”.
Trump condiciona fim da guerra a exigências do Irã
Em publicação feita nesta quarta-feira, o presidente Donald Trump afirmou que o conflito pode terminar caso o Irã aceite as condições propostas pelos Estados Unidos. No entanto, ele também alertou para uma escalada militar caso não haja acordo.
“Se eles não concordarem, os bombardeios começarão, e serão, infelizmente, em um nível e intensidade muito maiores do que antes”, acrescentou.
Irã analisa proposta e mantém postura firme
Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou, por meio da agência estatal Isna, que analisa a proposta e, posteriormente, enviará sua resposta ao Paquistão. Paralelamente, a Guarda Revolucionária declarou que a navegação segura no estreito de Hormuz será garantida caso cessem as ameaças dos Estados Unidos.
Além disso, o chefe do comitê de segurança nacional e política externa do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, criticou o documento apresentado pelos norte-americanos. Ele afirmou que o texto representa uma “lista de desejos americana, não uma realidade”.
“O Irã está com o dedo no gatilho e está pronto; se eles não se renderem e não concederem as concessões necessárias, ou se eles ou seus subordinados tentarem qualquer provocação, responderemos com uma reação dura e lamentável”, disse ainda, em um post no X.
Mediação do Paquistão influencia mercado global
Por outro lado, o Paquistão — que já havia sediado negociações anteriores — continua atuando como intermediador entre as partes. Como resultado, o avanço das conversas já impacta o mercado global, com queda nos preços do petróleo diante da expectativa de acordo.
Até o momento, porém, Casa Branca, Departamento de Estado dos EUA e autoridades iranianas não comentaram oficialmente as negociações.
Proposta inclui sanções, Hormuz e programa nuclear
De acordo com informações do Axios, o memorando em negociação prevê 14 pontos principais. Entre eles, está a possibilidade de o Irã aceitar uma moratória no enriquecimento nuclear.
Em contrapartida, os Estados Unidos suspenderiam sanções econômicas e liberariam bilhões de dólares em ativos iranianos congelados. Além disso, o acordo também prevê a redução de restrições ao tráfego no estreito de Hormuz, um ponto estratégico para o comércio global de petróleo.
Estrutura prevê fase de transição de 30 dias
O documento está sendo negociado pelos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, em conjunto com representantes iranianos, tanto de forma direta quanto por meio de mediadores.
Atualmente, a versão em discussão estabelece o fim imediato da guerra e, em seguida, abre um prazo de 30 dias para negociações mais detalhadas. Nesse período, os países devem discutir a reabertura de Hormuz, limites ao programa nuclear iraniano e suspensão de sanções.
Caso as conversas fracassem, os Estados Unidos poderão retomar o bloqueio naval ou até ações militares, segundo uma autoridade americana ouvida pelo Axios.
Tensão militar aumenta no estreito de Hormuz
Na terça-feira, o presidente Donald Trump anunciou a suspensão da operação “Project Freedom”, que tinha como objetivo reabrir o estreito de Hormuz. No entanto, a iniciativa não conseguiu restabelecer o tráfego marítimo e, consequentemente, intensificou ataques iranianos na região.
No episódio mais recente, a empresa francesa CMA CGM informou que um navio porta-contêineres foi atingido no estreito, deixando tripulantes feridos. A França, por sua vez, afirmou que não era alvo direto da ação.
Negociações seguem sob incerteza
Apesar dos avanços diplomáticos, a operação militar dos Estados Unidos foi lançada após Trump sinalizar possível rejeição à proposta iraniana anterior, que também continha 14 pontos e sugeria adiar discussões nucleares até a estabilização da região.
Enquanto isso, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou, durante visita à China, que Teerã busca “um acordo justo e abrangente”, embora não tenha comentado diretamente as declarações do presidente norte-americano.
Conflito afeta navegação e amplia crise regional
Desde o início da guerra, o estreito de Hormuz permanece praticamente fechado, o que afeta diretamente o comércio internacional de petróleo. Em resposta, Estados Unidos e Israel intensificaram ações militares na região.
Além disso, o Irã ampliou sua presença militar e, segundo autoridades locais, passou a controlar áreas próximas à costa dos Emirados Árabes Unidos.
Por fim, durante o conflito, drones e mísseis atingiram embarcações comerciais e instalações estratégicas, elevando ainda mais a tensão no Oriente Médio e ampliando o impacto global da guerra.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
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