O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou após reunião na Casa Branca com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não houve discussão sobre a classificação do CV (Comando Vermelho) e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas.

“Não foi discutido isso”, disse o líder brasileiro ao ser questionado pela Folha.

Trump destaca comércio e tarifas após reunião

Em publicação em sua rede social, Donald Trump avaliou o encontro com “o presidente muito dinâmico do Brasil” como positivo. Segundo ele, a reunião ocorreu “muito bem” e abordou temas como comércio e tarifas.

“Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”, afirmou o presidente americano.

No entanto, Trump não mencionou qualquer debate relacionado ao crime organizado.

Lula cita debate sobre crime organizado e narcotráfico

Por outro lado, Lula afirmou que temas considerados sensíveis foram abordados, incluindo o combate ao crime organizado e ao narcotráfico.

Segundo o presidente brasileiro, ele defendeu que a repressão isolada não resolve o problema da produção de drogas na América Latina.

“Como você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa de produto para que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?”, disse ele.

Proposta de cooperação internacional

Lula também afirmou que propôs a criação de um grupo internacional de combate ao crime organizado, com participação de países da América Latina e possivelmente de outras regiões.

“Nós criamos uma base na cidade de Manaus para combater o crime organizado, o tráfico de armas e de drogas na fronteira brasileira, com a participação de delegados da polícia de todos os países da América do Sul. Se os EUA quiserem compartilhar e participar conosco, estarão convidados”, afirmou Lula.

O governo brasileiro tenta evitar a mudança na classificação de facções como organizações terroristas, por entender que isso poderia abrir brechas legais para possíveis intervenções estrangeiras.

Relação Brasil–EUA e multilateralismo

Durante entrevista coletiva, Lula afirmou que a reunião representou um avanço na relação entre os dois países e na defesa do multilateralismo.

“Saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA”, disse.

O presidente destacou ainda que Brasil e Estados Unidos são “as duas maiores democracias do hemisfério” e que a cooperação pode servir de referência internacional.

Comércio, tarifas e temas econômicos

Lula também ressaltou a importância histórica dos Estados Unidos para a economia brasileira, mas criticou a redução do interesse norte-americano pela América Latina nas últimas décadas.

Segundo ele, o foco dos EUA passou a ser o combate ao narcotráfico, enquanto investimentos e parcerias econômicas diminuíram.

“É importante que os EUA voltem a ter interesse nas coisas do Brasil”, afirmou. “Muitas vezes fazemos licitações internacionais para rodovias ou ferrovias e os EUA não participam. Quem participa são os chineses.”

O presidente também afirmou que conversou com Trump sobre terras raras e tarifas, mas não tratou da investigação sobre o PIX.

Outros pontos do encontro

Durante a reunião, Lula disse ainda ter feito uma brincadeira com o presidente americano sobre vistos relacionados à Copa do Mundo.

“Espero que você não venha anular o visto dos jogadores brasileiros. Vamos vir aqui para ganhar. Ele riu”, disse.

O chanceler Mauro Vieira afirmou que o encontro foi positivo e que os presidentes discutiram investigações da Seção 301, que podem resultar em sanções e tarifas adicionais ao Brasil.

Segundo ele, as partes concordaram em retomar conversas nos próximos 30 dias para reavaliar o tema.

Histórico de visitas à Casa Branca

Esta foi a sexta visita de Lula à Casa Branca. Antes, ele esteve em Washington em 2002, 2003 e 2008, durante encontros com George W. Bush; em 2009, com Barack Obama; e em 2023, já no atual mandato, com Joe Biden.

(*) Com informações da Folha de S.Paulo

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