A decisão da Anvisa de suspender parte da produção da marca Ypê provocou forte repercussão nas redes sociais. Além disso, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a defender publicamente a empresa e questionar a medida sanitária.

A suspensão envolve lotes específicos de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes produzidos na fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo.

Segundo os órgãos sanitários, inspeções identificaram falhas em processos de limpeza, sanitização e controle microbiológico.

Bolsonaristas associam decisão ao apoio da empresa a Bolsonaro

Nas redes sociais, apoiadores do ex-presidente alegaram perseguição política contra a Ypê. O argumento ganhou força após a divulgação de que integrantes da família dona da empresa realizaram doações para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022.

De acordo com informações divulgadas publicamente, os herdeiros do fundador da empresa destinaram cerca de R$ 1,5 milhão à campanha presidencial.

Além disso, internautas começaram a publicar fotos comprando produtos da marca. Alguns vídeos também viralizaram mostrando pessoas utilizando detergentes da empresa em tom de protesto contra a decisão da Anvisa.

Políticos e famosos comentaram caso nas redes

O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, publicou um vídeo incentivando consumidores a comprarem produtos da marca.

“Vamos aos supermercados, vamos comprar produtos Ypê”, afirmou o político durante a gravação publicada nas redes sociais.

O senador Cleitinho também comentou o caso e criticou a atuação da vigilância sanitária.

Além disso, personalidades conhecidas, como Jojo Todynho e Júlio Rocha, também repercutiram o tema publicamente.

Vigilância sanitária mantém alerta sobre produtos

Apesar da repercussão política, órgãos de vigilância sanitária reforçaram o alerta para que consumidores não utilizem os produtos dos lotes afetados.

O Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo informou que o risco sanitário permanece e orientou estabelecimentos comerciais a retirarem os produtos das prateleiras.

Além disso, o órgão destacou que a liminar obtida pela empresa não autoriza o consumo nem a comercialização dos itens investigados.

As análises seguem sendo realizadas em conjunto pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e pela vigilância sanitária municipal de Amparo.

Bactéria motivou investigação sanitária

Segundo as autoridades, a investigação começou após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em novembro de 2025.

A bactéria pode causar dermatites, conjuntivites e agravar quadros de saúde em pessoas imunossuprimidas ou em situação de vulnerabilidade.

Além disso, as inspeções apontaram irregularidades em etapas consideradas essenciais do processo produtivo.

Diante disso, os órgãos sanitários seguem recomendando que consumidores evitem utilizar os produtos incluídos na medida cautelar até a conclusão das análises.

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