A gravidez pode mascarar doenças porque muitos sintomas comuns da gestação também aparecem em condições graves de saúde. Náuseas, dores, cansaço, inchaço e falta de ar costumam fazer parte desse período. No entanto, quando esses sinais surgem de forma intensa, persistente ou fora do padrão, eles exigem atenção médica imediata.

Além disso, especialistas alertam que o acompanhamento pré-natal adequado é essencial para identificar problemas precocemente e reduzir riscos para a mãe e o bebê.

Gravidez pode mascarar doenças durante o pré-natal

A história da professora Elisflavia Rodrigues da Assunção Guimarães mostra como a gravidez pode mascarar doenças graves.

Durante o pré-natal, ela percebeu alterações incomuns no volume abdominal. Por isso, realizou exames mais detalhados, que identificaram um câncer intestinal avançado com metástase nos ovários.

Além disso, a equipe médica precisou agir rapidamente para preservar a vida da mãe e da bebê. Dessa forma, os profissionais decidiram antecipar o parto em uma cirurgia de alta complexidade.

A bebê nasceu prematura, mas apresentou boa evolução clínica. Enquanto isso, a mãe iniciou imediatamente o tratamento contra o câncer.

Sintomas comuns também podem indicar complicações

Segundo o ginecologista e obstetra da Hapvida, Clayton Fortunato Filho, os sintomas da gravidez nem sempre representam apenas adaptações naturais do organismo.

“As manifestações mais comuns da gravidez nem sempre são apenas adaptações do corpo. Quando fogem do padrão, podem indicar condições que precisam de investigação”, afirma o especialista.

Entre os sintomas que merecem atenção estão:

  • náuseas e vômitos intensos;
  • inchaço excessivo;
  • dor abdominal forte;
  • falta de ar;
  • dor de cabeça persistente;
  • febre;
  • alterações visuais;
  • sangramentos.

Além disso, sintomas que pioram com o tempo ou aparecem de forma repentina precisam de avaliação médica rápida.

Gravidez pode mascarar doenças silenciosas

Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 20% das gestantes enfrentam algum tipo de complicação durante a gravidez.

Entre os problemas mais frequentes estão:

  • diabetes gestacional;
  • pré-eclâmpsia;
  • anemia;
  • infecções urinárias.

Muitas dessas doenças começam de maneira silenciosa. Por isso, exames como hemograma, glicemia, ultrassonografia, sorologias e exame de urina ajudam a detectar alterações antes do agravamento do quadro.

Além disso, a Organização Mundial da Saúde afirma que o pré-natal adequado pode reduzir em até 20% as complicações graves na gestação.

Grupos de risco precisam de mais acompanhamento

Algumas mulheres precisam de atenção ainda maior durante a gravidez. Entre elas estão:

  • gestantes acima de 35 anos;
  • adolescentes;
  • mulheres com obesidade;
  • pacientes com doenças prévias;
  • gestantes com histórico de complicações.

Nesses casos, o acompanhamento costuma incluir mais consultas e exames frequentes. Além disso, hábitos saudáveis ajudam a reduzir riscos durante a gestação.

Manter o pré-natal em dia, controlar o peso, evitar álcool e cigarro e seguir corretamente as orientações médicas fazem diferença na saúde da mãe e do bebê.

“Em alguns casos, pode ser necessário antecipar o parto para garantir a segurança da mãe e do bebê”, explica Clayton Fortunato Filho.

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