Representantes de secretarias estaduais e municipais de educação participaram, na última terça-feira (05), de uma oficina promovida pelo Projeto SETA no Rio de Janeiro para discutir desafios relacionados à implementação da educação antirracista no Brasil.
Além disso, o encontro reuniu gestores, técnicos e pesquisadores de diferentes estados com o objetivo de construir uma ferramenta nacional voltada ao fortalecimento de políticas de Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER).
Educação antirracista no Brasil enfrenta desafios nas redes públicas
Durante a oficina, representantes de estados como Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, São Paulo e Rio de Janeiro debateram entraves na execução de políticas de equidade racial nas escolas públicas.
Além disso, os participantes destacaram dificuldades na aplicação de recursos e na transformação de políticas públicas em ações concretas dentro das redes de ensino. Por isso, a oficina buscou aproximar experiências e soluções já aplicadas em diferentes regiões do país.
Entre os principais desafios apontados estão:
- ausência de diretrizes práticas;
- dificuldade de monitoramento;
- dependência de iniciativas individuais;
- e limitações na execução dos recursos disponíveis.
Projeto busca criar ferramenta nacional de implementação
A proposta central da oficina foi construir coletivamente um instrumento capaz de auxiliar secretarias na elaboração, execução e monitoramento de políticas educacionais antirracistas.
Além disso, a ferramenta deverá contemplar ações voltadas à população negra, à educação escolar indígena e quilombola, bem como às especificidades de povos tradicionais e comunidades nômades.
Segundo Paulo César García, ainda faltam mecanismos práticos para orientar as redes de ensino. Dessa forma, muitas secretarias encontram dificuldades para transformar recursos em ações efetivas.
“Não há um instrumental que direcione os centros educacionais na utilização desses recursos”, afirmou.
Gestores defendem avanço da implementação nas escolas
Para Vivian Barros, é necessário transformar debates sobre equidade racial em ações concretas dentro das escolas.
“A gente precisa sair do nível da sensibilização e avançar para a implementação real”, destacou.
Além disso, ela reforçou que apenas aderir às políticas públicas não garante resultados efetivos sem planejamento operacional. Portanto, a criação de estratégias práticas foi apontada como prioridade pelos participantes.
Projeto SETA reúne organizações ligadas à educação e equidade racial
O Projeto SETA reúne movimentos sociais e organizações negras, indígenas, quilombolas e feministas voltadas à educação.
Entre as instituições participantes estão:
- ActionAid;
- Ação Educativa;
- Campanha Nacional pelo Direito à Educação;
- CONAQ;
- Geledés;
- Makira-E’ta;
- e UNEafro Brasil.
Além disso, a iniciativa atua com pesquisas, campanhas, formações e incidência política voltadas à promoção da justiça social e racial na educação pública brasileira.
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