O Governo Federal detalhou, nesta quarta-feira (27), um plano de governança e gestão para a BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho. A proposta reúne ações de fiscalização permanente, monitoramento territorial, desenvolvimento sustentável e obras de infraestrutura ao longo da estrada.

O anúncio ocorreu durante agenda do ministro do Meio Ambiente e Mudança Climática, João Paulo Capobianco, na sede do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), no bairro Aleixo, zona Centro-Sul de Manaus.

Segundo o governo Lula, o projeto terá três frentes principais: proteção ambiental e territorial, desenvolvimento sustentável, além de mobilidade e integração.

“Estamos juntando meio ambiente e desenvolvimento em uma nova perspectiva para a região mais preservada do Brasil”, afirmou Capobianco.

Além disso, o plano prevê a instalação de três portais de fiscalização integrada em Humaitá, Careiro e Manicoré. O projeto também inclui a criação de uma sede multiagência em Humaitá para atuação conjunta de instituições policiais e órgãos ambientais.

Monitoramento e combate ao crime

O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que o governo irá monitorar uma área de 100 quilômetros no entorno da BR-319, sendo 50 quilômetros de cada lado da rodovia.

De acordo com ele, o projeto contará com um centro integrado de comando e controle, além de ações de segurança pública, organização fundiária e políticas socioeconômicas.

“É uma mudança muito grande. Além do monitoramento e da segurança pública, teremos ações educativas, políticas socioeconômicas e organização fundiária”, disse Santoro.

Ao mesmo tempo, o plano prevê medidas de proteção ambiental, regularização fundiária e fortalecimento de áreas protegidas.

Governo prevê investimentos em bioeconomia

Na área de desenvolvimento sustentável, o governo destacou investimentos em bioeconomia, turismo ecológico e infraestrutura para atividades ligadas à floresta.

Segundo Capobianco, o programa Eco Invest Brasil deve direcionar R$ 13 bilhões para projetos sustentáveis na Amazônia.

“Os recursos vão apoiar atividades que mantêm a floresta em pé, além da infraestrutura necessária para quem produz na região”, explicou o ministro.

Além disso, o governo prevê a pavimentação de trechos da BR-319, manutenção da estrada e instalação de pontes. Para 2026, estão previstas obras no trecho C da rodovia, entre os quilômetros 177,8 e 250.

O projeto será executado por meio de uma parceria com duração prevista entre 2028 e 2048. Já a licitação deve abrir em agosto de 2027.

Estudo aponta impactos positivos e riscos

Durante o evento, o diretor do Inpa, Henrique Pereira, alertou para possíveis impactos negativos relacionados ao avanço da rodovia.

Segundo ele, a recuperação da BR-319 pode aumentar a pressão sobre serviços públicos e favorecer economias ilícitas.

“O impacto da estrada pode dinamizar economias ilícitas e aumentar demandas por serviços públicos”, afirmou.

Atualmente, cerca de 40 cientistas participam da Avaliação Ambiental Estratégica da BR-319. O estudo envolve 21 municípios localizados no entorno da rodovia.

Até agora, os pesquisadores já realizaram mais de 1.200 entrevistas com moradores, lideranças políticas e organizações locais. Além disso, as equipes promovem oficinas para discutir os cenários desejados para a região.

A conclusão do estudo está prevista para agosto de 2026.

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