Aos 16 anos, a cantora e atriz amazonense Cella deixou Manaus para buscar espaço no cenário artístico do Rio de Janeiro. Agora, ela retorna à capital amazonense com um novo trabalho que marca uma fase de maturidade artística e conexão com suas origens.

O álbum “Efeito Borboleta”, já disponível nas plataformas digitais, reúne referências do pop contemporâneo, sonoridade dark pop tropical e elementos da cultura amazônica. Além disso, o projeto conta com participações de artistas da cena local.

Em entrevista ao Em Tempo, Cella falou sobre o processo criativo do disco, a relação com sua identidade nortista e o significado de voltar a apresentar seu trabalho na cidade onde cresceu.

Identidade e amadurecimento

Durante a conversa, a artista destacou a importância deste momento na carreira e revisitou o início da carreira na música, que começou ainda na adolescência.

“Acabei de lançar meu primeiro álbum, Efeito Borboleta. Já tenho uma carreira na música desde muito cedo, desde os quinze aninhos, já lançando músicas. Mas o primeiro álbum de uma artista é quando a gente consegue realmente marcar a nossa identidade e a nossa sonoridade”.

A cantora também comentou a fase atual da carreira e a escolha do momento para o lançamento do projeto.

“Vou fazer 25 anos esse ano, então acho que foi um bom momento, já um pouco mais madura, digamos assim, para poder lançar esse álbum que se chama Efeito Borboleta”.

Durante a entrevista, Cella destacou que o álbum também carrega forte relação com suas origens em Manaus e com a identidade amazonense.

“[O albúm] Ele fala um pouco sobre a saudade daqui de Manaus e o meu orgulho de ser amazonense, e como eu sinto que a minha cultura, apesar de tudo, também foi um diferencial para mim lá fora. Eu nunca tentei, quando me mudei para o Rio, apagar isso. Pelo contrário, eu sempre fiz muita questão de colocar isso em tudo o que eu fazia, de falar de onde eu sou, porque é algo que eu senti muita falta: de ver referências de artistas que têm essa bandeira”.

A artista reforçou ainda que o projeto funciona como uma homenagem ao Norte do Brasil e às referências femininas do pop.

“Então o álbum foi como uma grande homenagem ao Norte do país, juntando esse lugar da diva pop, que eu sou mega fã. Eu sempre sonhei em ter uma diva pop. Cresci ouvindo referências de fora, como Ariana Grande e Beyoncé. Aqui no Brasil, a gente tinha a Joelma, nossa maior diva pop do Norte”.

Cella explicou que buscou construir uma identidade sonora própria ao unir referências do pop global com elementos da cultura amazônica.

“Só que como trazer isso para um lugar que fosse a minha cara? Então esse álbum é uma junção de tudo isso, com uma sonoridade bem pop amazônico. A gente tem referências da própria natureza, de uma forma contemporânea”.

Identidade amazônica 

Cella explicou que “Efeito Borboleta” representa um reencontro com suas origens e com a cultura amazônica. Segundo ela, o projeto também dialoga com referências da música pop mundial e brasileira, mas sem perder a identidade nortista.

Além disso, o álbum reúne colaborações com artistas como Doral, Ana Mady e Miss Tacacá, entre outros nomes da cena regional.

“A gente tem quatro feats no álbum que é a Doral, Ana Mady, a Miss da Tacacá e o LOFIHOUSEBOY são DJs, que são do Pará, a gente se conhecia pela internet, então foi um um processo criativo quase que a distância, só que foi muito legal porque a gente conseguiu mesmo de longe trazer essa sonoridade pra dentro do álbum, trazendo rock doido, referências do Pará, do batidão e tudo mais.”

Conexão com Manaus

Um dos pontos mais marcantes do projeto, segundo a artista, foi a decisão de gravar os videoclipes em Manaus.

As produções passaram por locais simbólicos como o Teatro Amazonas, o Rio Negro e áreas de Presidente Figueiredo.

“Teve um deles [clipes], o meu norte, que a gente gravou no Teatro Amazonas. Eu cresci no Teatro Amazonas. Já fiz muitas coisas lá e participei do coral do Amazonas. Tudo que tinha de criação musical, desde criancinha, eu participava. Poder voltar e gravar lá foi muito especial. Muito especial mesmo. Foi como se fosse um ciclo se fechando “, completou.

A artista também relatou uma experiência marcante durante as gravações no Rio Negro.

“A gente foi gravar no meio do rio,todo mundo sem sinal, pegando o barco pra ir gravar e aquele medo de chuva aqui em Manaus,com medo de dar errado. O meu produtor sempre comigo, dizendo: ‘não, calma, vai dar tudo certo’”, comentou. 

“Nesse momento apareceu uma borboleta laranja, fico arrepiada de lembrar. Eu estava nervosa, quase chorando e a borboleta laranja parou, pousou em mim. A gente tinha que gravar. São confirmações assim de Deus, do universo que estava no caminho certo’.

Próximos passos 

Ao falar sobre o futuro, Cella adiantou que pretende levar o espetáculo do álbum para palcos da Amazônia.

Além disso, ela destacou o desejo de se apresentar em Manaus e também em cidades do interior.

“Quero muito começar a fazer shows com esse álbum, com Efeito Borboleta. Quero trazer muitos shows pra Manaus, pros interiores, porque eu acho que o álbum é feito para a galera daqui. E não só pra cá, mas também para outros lugares, porque quando você entende a diferença daqui, você consegue se identificar. Então acho que o próximo passo são esses shows”.

Onde ouvir “Efeito Borboleta”

O álbum “Efeito Borboleta” já está disponível em todas as plataformas digitais. Cella também mantém conteúdos no YouTube e nas redes sociais, onde compartilha bastidores, rotina e novidades da carreira.

Entrevista completa:

Leia mais: