O Dia Mundial dos Meios de Comunicações é celebrado no Domingo da Ascensão do Senhor. A Mensagem enviada por Papa Leão para o Dia, reflete e questiona a quase substituição da inteligência humana, o rosto e a voz, pela inteligência artificial. 

Ensina que a voz e o rosto são traços únicos e próprios de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepetível e são elemento constitutivo de cada encontro. Os antigos sabiam-no bem. Para definir o ser humano, os gregos usavam a palavra “rosto” (prósopon), que etimologicamente indica o que está diante do olhar, o lugar da presença e da relação. Por sua vez, o termo latino persona (de per-sonare) inclui o som: não um som qualquer, mas a voz inconfundível de alguém.

Admoesta que o rosto e a voz são sagrados, pois dados por Deus, que criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, chamando-os à vida com a Palavra que Ele mesmo dirigiu. A Palavra, a comunicação que Deus faz de si mesmo, podemos escutar e ver diretamente (cf. 1 Jo 1, 1-3), porque se deixou conhecer na voz e no rosto de Jesus, Filho de Deus.

Preservar o rosto e a voz humanas é cuidar e cultivar do reflexo indelével do amor de Deus. Cada pessoa possui uma vocação insubstituível e irrepetível, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunicação com os outros.

Diante dessa grandeza e responsabilidade existencial Papa Leão afirma que a tecnologia digital corre o risco de alterar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana, que por vezes temos como garantidos. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas, conhecidos como inteligência artificial, não só interferem nos ecossistemas informativos, como também invadem o nível mais profundo da comunicação, ou seja, o das relações entre as pessoas.

Às vezes não nos damos conta de como estamos rodeados e tomados pela chamada inteligência artificial e que ela com o passar do tempo vai tolhendo a nossa capacidade de pensar, analisar, elaborar, trabalhar, servir, meditar. Em outras palavras retirando a nossa capacidade de comunicar quem somos e quem podemos ser. Deixamos de gerar a nós mesmo, como afirmava um dos Santos Padres

O desafio da comunicação não é tecnológico, mas antropológico. Preservar os rostos e as vozes significa, preservar a nós próprios. Aceitar com coragem, determinação e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial não é sinônimo de esconder de nós mesmos os pontos críticos, a opacidade e os riscos

Há muito tempo que existem múltiplas evidências de que os algoritmos concebidos para maximizar o envolvimento nas redes sociais – rentável para as plataformas – recompensam as emoções rápidas e penalizam as expressões humanas que requerem mais tempo, como o esforço para compreender e a reflexão. Ao encerrar grupos de pessoas em bolhas de fácil consenso e indignação, estes algoritmos enfraquecem a capacidade de escuta e pensamento crítico, aumentando a polarização social.

 Três pilares são apresentados para que as vozes e os rostos humanos continuem como caminho de maturação e realização:  responsabilidade de todos diante das tecnologias, cooperação em todos os níveis para uma justa aplicação das tecnologias e educação como despertar para o sentido da inteligência artificial e o sentido da humana. (cf. Mensagem dia da comunicação, 2026)

Cardeal Leonardo Ulrich Steiner – Arcebispo de Manaus

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